Suicídio: o adeus para (in) transcendência – Albert Camus escreveu que o suicídio era um “problema filosófico verdadeiramente sério”. Conheça a visão de pensadores como Emil Cioran, Santo Tomás de Aquino e Jean-Jacques Rousseau sobre esse tema tão delicado e controverso

Artigo bem didático para quem deseja sair com honra.

Emil Cioran writer / Emil Cioran écrivain (Pas...

Emil Cioran writer / Emil Cioran écrivain (Pas terrible, flemme de recommencer) (Photo credit: Wikipedia)

Filosofia | Suicídio: o adeus para (in) transcendência – Albert Camus escreveu que o suicídio era um “problema filosófico verdadeiramente sério”. Conheça a visão de pensadores como Emil Cioran, Santo Tomás de Aquino e Jean-Jacques Rousseau sobre esse tema tão delicado e controverso.

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O Estágio Zaratustra. Trancoso-Rio dos Frades

Dia 01/07, amanheço em Trancoso depois de uma noite muito bem dormida se considerar que meu colchão era um pedaço fino de material sintético. O roteiro era passar a manhã preparando minha partida a pé para Itaporanga pela praia. Não me preocupava por não conhecer o caminho na prática, afinal já consultara de véspera o Google Terra e a coisa não parecia muito difícil já que estaria orientado sempre pelo barulho do mar a minha esquerda. Além disso, aquela paisagem litorânea não compunha exatamente uma exuberante mata atlântica. Então o mapa que tinha apenas na minha cabeça se assemelhava ao seguinte:

 Bom, como sempre, as coisas não são tão fáceis quanto desejamos que sejam. Detalhes virão mais tarde. Por agora, vamos nos ater à uma prioridade cabal e comum à todas as espécies, o alimento. Observando a vida animal percebemos que sua natureza é muito simples. Se resume em procurar comida ao mesmo tempo em que ele mesmo não se torne comida de outro. No intervalo em que não se ocupam disto podem ser encontrados dando vazão ao instinto animalesco de procurar um parceiro para procriação. Com uma proposta e um orçamento igualmente animal pude assim me reaproximar de minhas necessidades verdadeiras e resgatar o homem ligeiramente primitivo que ainda acredito carregar. E como um animal, logo ao acordar, tratava de perambular a procura de meu suprimento alimentar. É claro que não tinha a pretensão de me transformar de um ser-hurbano a um homem primata simplesmente pela vontade, da noite para o dia. Não é que eu gritasse “Gerônimo!!!” e um raio caísse do céu reduzindo minhas roupas a uma tanga de couro, me armando de uma lança de bambu com a qual cassasse como o maior dos bravos, mas minhas refeições deveriam ser as mais básicas e grátis possíveis. O cardápio não variaria muito. Um carboidrato associado a alguma proteína, normalmente pão com ovo, pão com queijo, tapioca com leite em pó. Daí cozinhava uma lentilha sempre que dava, comprava, colhia ou catava frutas, paçoca de troco, coisa e tal. Ainda havia a cota diária de barras de cereal e proteína e um pouco dinheiro que sobrava pra tentar fazer uma refeição mais substancial que não ultrapassasse R5,00 (difícil). Ou seja, grande parte do meu dia era dedicado a procurar comida.

Me sentia o verdadeiro Bear Grylls. Infelizmente não foi bem assimMinha intenção era iniciar naquele dia a união entre duas práticas: o deslocamento até outras terras mais longínquas esperando encontrar pelo caminho relativamente selvagem algumas poucas fontes de alimento. Ora, sou um ser onívoro e este fator de oportunismo me permitiria encontrar frutas pelo caminho, caranguejos, pequenos peixes presos nos corais, enfim, me sentia o verdadeiro Bear Grylls. Infelizmente não foi bem assim.

No início da tarde encontrei um restaurante self-service mais humilde onde montei um prato comedido mas substancioso. Coloquei apenas coisas que não pesam muito no prato, mas caprichei no feijão. Satisfeito, fui conhecer a praia e fazer a digestão antes da caminhada. Encontrei uma castanheira à alguns metros ao sul de frente pro mar onde a maré não chegava, perfeita para acampar de quebradinha e zarpar antes que alguém perceba. A ansiedade da partida era grande, queria logo colocar o pé na estrada e no meio da tarde levantei acampamento e fui. Cedo demais para quem acabara de almoçar em restaurante baiano e tarde demais para quem pretendia atravessar a barra do rio dos Frades antes de anoitecer. Mais tarde esta pressa se revelaria meus primeiros enganos da jornada.

Já nos primeiros quilômetros me desviei da estradinha a beira mar e caí em uma praia mais afastada mas cheia de nativo curtindo a tarde. Parei pra me informar com uns caras jogando baralho e quando contei meu objetivo eles não se mostraram muito otimista quanto ao cumprimento da missão. Quando olharam para aquele branquelo recém-chegado querendo tirar onda de aventureiro a primeira reação dos caras foi de explícita chacota. “Rapáis! Não é assim, não. Você não chega lá hoje”, disse um deles. Me decepcionei um pouco, mas ainda acreditava em mim, além do mais eu estava equipado para contratempos, barraca, alguma comida para preparar e água. Insisti. Sem tirar os olhos do jogo das cartas outro dispara: “À cavalo são 4 horas, você não conhece o caminho. Tem que atravessar o Frades na maré baixa. Desiste.” Um outro faz terror – “Outro dia um tubarão comeu uma mula lá na barra. Vai arriscar?” – Caralho! Tudo que eu precisava ouvir. Ou eu estava deveras subestimando as dificuldades ou aqueles homens estavam subestimando minha capacidade. Resolvi descobrir a resposta e sobre risos desdenhosos me virei e prossegui.

E tome areiãoEstava com um certo gás, otimista, motivado. Caminhar pela praia tem a vantagem de ser terreno plano, sem subidas e descidas, porém não é tão fácil assim. O piso fofo pode dificultar muito, mas se souber se servir da maré vazante, a areia próxima a arrebentação fica como uma pista. Claro que consultei as marés no período antes da viagem no site da marinha. No entanto sabia que deveria voltar à uma estrada uns 100m pra dentro do continente que era um areião em linha reta, o que me economizaria passos em detrimento do caminho praiano recortado. E assim o fiz. Era um caminho até agradável por vegetação de grande porte entre mim e a praia. Mesmo não vendo o mar, ouvia suas batidas ritmadas a esquerda, ora mais próxima, ora mais ao longe. O problema era que o sol se punha rapidamente e nada de rio dos Frades. Este era minha referência pois imaginava que deveria atravessá-lo em algum momento obrigatoriamente. Outro engano. A estrada para Itaporanga pega um caminho a sudoeste em um trecho bem anterior. Sem perceber, continuei reto. Me vi em uma situação onde não conseguiria cortar a mata no peito se quisesse retornar a praia e estava em um local pouco propício para montar acampamento, andando por uma restinga densa, repleta de animais rastejantes. Não podia vê-los propriamente ditos, mas os ouvia entre os arbustos e imaginava que ali era um local e horário preferido para cobras saírem à caça. Apertei o passo e inciei uma corrida contra a chegada da noite. E tome areião, e nada de rio dos Frades.

Já estava começando a sondar locais onde eu poderia voltar e colher lenha se necessário, quando de repente, atravessando uma pequena duna, me deparei com um oásis de coqueiros. Parece estória enfeitada, mas juro que não foi. Do alto da duna pude ver um campo de areia plano, cercado de coqueiros e castanheiras. A esquerda o encontro do mar com o rio Frades onde atracavam pequenas embarcações e ao sul, no fim do plano, seu leito calmo. Já era iniciozinho da noite, estava aquele claro, meio escuro, meia luz, a lua já havia dado as caras. Tudo lindo, mas a estória do tubarão na barra não me encorajou nem um pouco a passar para o outro lado naquele dia. Depois de 10km de paisagens desabitadas, mal pude acreditar que naquele lugar tão isolado haviam casas. Dois barracos de madeira, precariamente construídos. O primeiro que vi estava bem localizado num campo de areia e coqueiros. Chamei, não havia ninguém. Andei até o segundo, às margens do rio. Não parecia haver ninguém. Caramba! Isso poderia ser bom ou ruim. Poderia acampar ali e acordar no outro dia sem ser molestado, o que seria bom, ou, poderia acampar e tarde da noite, aparecer sabe-se lá quem que moraria ali e no melhor das hipóteses acharia estranho chegar e do nada ver uma barraca armada em seu quintal. Levantei acampamento na frente da primeira casa e fui colher lenha para a fogueira. A esta altura tinha água suficiente apenas para cozinhar lentilha, fazer leite, e beber o mínimo. Poderia também ferver a água do rio se a sede ficasse crítica. Agilizei tudo e, cansado pra caralho, dei uma deitada na barraca para descansar um pouco antes de cozinhar. Quase dormindo, escuto um “Aoooow”. Abri a barraca e tinha um jovem senhor sentando num toco perto dali. Eu disse:

– Opa. To invadindo seu espaço aqui – contei toda a saga até ali.

– Te vi na beira. Depois você voltou e eu vim aqui ver se era gente esquisita. Essa é a casa de um amigo. Ele saiu pra pescar. Eu moro na da frente. Mas pode ficar. Ele é gente boa.

– Sou SamWell de Belo Horizonte. Qual seu nome?

– Marquinhos (se não me engano). Me chamam de “Pito”. Minha mulher foi pra BH. Ela estava injuriada de morar aqui, sem energia elétrica, vivendo assim. Uma amiga dela levou pra trabalhar lá. Acho que ela não volta.

– Pois eu to pensando em fazer o contrário. Sair de lá e procurar algum lugar pra viver mais próximo disto aqui.

Cozinha dos anfitriões

Muito solicitamente ele me levou para o “fogãozinho” deles e já foi acendendo a lenha arrumada entre dois tijolos para que eu pudesse preparar minha janta. Lentilha demora, conversamos fiado um pouco, ele saiu pra pescar não sei o que, aproveitando a maré. Continuei e enquanto aguardei a refeição noturna ficar pronta meu corpo pode esfriar da caminhada e dar lugar a uma tremenda dor de barriga. Que era isso? Cara, doía que pareciam ter dado um nó no meu intestino. Não consegui comer. Deitei e não consegui dormir. Fiquei imaginando o que havia causado aquilo. Imagino que seja a junção fatal de tempero baiano com caminhada antes de uma digestão bem feita. Não teve jeito. Tive que forçar o “hugo”. Vomitei uma, melhorou um pouco. Vomitei outra, acho que resolveu. Fui deitar de novo. Ufa! Melhorou. Dormi um pouco e acordei com uma sede incrível. Costas de camelo vazio. Tentei dormir mas a sede era tamanha, que só conseguia pensar no suco natural de maracujá que havia deixado na geladeira em BH. Levantei, peguei a lanterna e fui procurar coco no chão. Descobri que os stacks da Bivak são ótimos instrumentos para abrir a iguaria tropical, bastava perfurá-lo. O lance era encontrar coco com água boa. Na verdade, naquele momento bastaria ter água. Não obtive sucesso. Estava literalmente desesperado de sede, pensei em ir no rio e pegar água, mas ali, do lado da casa, tinha uns tambores plásticos com água. Investiguei alguns deles e não parecia muito animadora a qualidade da água. Um tambor azul continha uma água que pela aparência tive certeza ser água de chuva. Era totalmente incolor, não havia cheiro. Provei, gosto de água boa. Iluminei com a lanterna e, apesar de vários insetos voadores que tiveram a má sorte de se lançarem no tambor, não pude notar larvas ou coisas vivas nadando. Não tive dúvidas e me lembrei dos episódios de  A Prova de Tudo (Man vs. Wild). Peguei a água numa panela, a meia que havia usado no trajeto, coloquei-a entre minha boca e a borda da vasilha e bebi. Bebi, bebi e bebi. Que água deliciosa. Néctar dos Deuses. Pude assim dormir e me preparar para o próximo capítulo.

(Fonte das fotos http://www.trancosobrasil.com.br)

O Estágio Zaratustra – Introdução

Tenho refletido, escrito, postado sobre os desencantos da existência. Dos elementos que mais constituem o cabedal teórico que tem me pautado aquele que merece destaque é o modo de vida urbano e suas implicações na construção de um homem sem valores reais. Para quem se contenta com a ignorância a reflexão parece sempre algo que se dilui no ar, caindo na superficialidade dos fatos, mas, para quem prefere a verdade, por menos agradável que seja, a coerência deve ser a busca.

Porém, qual a antítese daquilo que durante toda minha vida moldou meu avatar? Nasci e cresci numa metrópole e passeios eventuais pelos resquícios da vida natural não transformam vermes em homens. Criatura tão frágil é o ser-hurbano. Eu, por exemplo, até mesmo do serviço militar me esquivei. Não que obedecer a alguma hierarquia ou servir a pátria seja grande bosta, mas o fato é que imagino que seja uma experiencia enriquecedora por nos aproximar da dureza da vida. Seria o mais próximo que esta juventude urbana conseguiria chegar do conceito de maculinidade. Para os projetos de macho que são nossos rapazes da cidade, com sua parafernália eletrônica e toda sua pompa pseudo-cosmopolita-de-internet, seus músculos trabalhados na academia e seus joguinhos brutos típicos da explosão hormonal da puberdade. Longe de ser homofóbico, pelo contrário, acredito que existam muitos homossexuais que sejam machos, mas nossos garotos urbanos são verdadeiras bichas viadinhas, cheias de nojinho. Então, para nós, metropolitanos do sexo masculino, de classe média, com mais de 18 anos e que não “serviu exército”, perdemos a chance de chegar o mais próximo que poderíamos da noção de masculinidade. Todo esse rodeio fiz para ilustrar o ponto a que pretendo chegar. Se me digo descontente com o modo de vida urbano e suas implicações na construção do ser, devo negá-lo. Portanto, a princípio, tento vislumbrar o cenário alternativo, o inurbano.

Como então seria? Ou, onde e como poderia vivenciá-lo? Ora, se fosse formular uma teoria a respeito, aborreceria a muitos e a mim mesmo, mas esta teria como base algo sobre o qual já tratei aqui, a dissolução gradual do urbano até seu clímax onde as pessoas voltariam a viver em grupos reduzidos a um menor número possível de indivíduos, em tribos dissipadas por todo globo. A natureza então retornaria a condição de dominadora do homem ao mesmo tempo em que este reassumiria seu papel de dominado, dependente, subordinado. Esta é a salvação do homem enquanto espécie e em termos de evolução moral. (ver também Da (re)tribalização do homem)

Com isso desenvolvi o Projeto Zaratustra que consiste em formular um modo de vida alternativo viável que permeie minha teoria de coerência. Um experimento no qual também sou cobaia e onde busco à médio/longo prazo me estabelecer vivendo da maneira mais frugal, autossuficiente e o menos vinculado possível aos agrupamentos sociais maiores. Nos últimos 10 dias dei início a este projeto executando o “Estágio Zaratustra”. Nele procurei dar vazão ao meu selvagem reprimido vivendo em lugares distantes de zonas urbanas, carregando comigo uma mochila não mais pesada que 10 quilos comportando o essencial para sobreviver com menos de R$10,00 por dia. Relatarei nos próximos capítulos toda a experiencia, incluindo métodos e material utilizado, desenvolvimento do estágio, referências teóricas e relatório final de estágio.

Campo de estágio

Perímetro litorâneo que abrange o extremos sul do município de Porto Seguro/Ba ao distrito de Corumbau, em Prado/BA. Necessário partir de Porto Seguro com destino a Corumbau e retornar no período de 31/05 a 09/06 deste ano.

Material disponível

  • Capital
    • 01 nota de R$100,00
    • 01 nota de R$50,00 para utilização estritamente em caso de emergência
  • 01 Mochila Crampom 44 contendo (aprox. 10kg)
    • 01 Bivak
    • 01 saco de dormir
    • 01 isolante térmico (EVA 1,40/1,00m)
    • 01 costas de camelo (camel back) acoplável a Crampom 44 (capacidade 2l)
    • Higiene e proteção pessoal
      • 01 barra de sabão de coco
      • Pasta e escova de dente
      • Protetor solar
    • 08 peças de roupa
      • 02 pares de meias
      • 02 sungas
      • 02 bermudas
      • 02 camisetas de compressão manga longa
    • 01 lanterna
    • 01 panela de alumínio
    • kit talher Guepardo
    • Ração diária composta por
      • 10 barras de cereais
      • 10 barras de proteína
      • 250gr tapioca
      • 300gr leite em pó
      • 70gr lentilha
  • Objetos de uso pessoal
    • óculos escuros
    • isqueiro bic
    • canivete
    • palha e fumo de rolo
    • 15gr de bagulho

Preparação da mochila

Saco de dormir colocado em compartimento próprio devidamente embalado em saco de lixo preto, pois no caso de pegar chuva ou cair acidentalmente na água, ao menos poderia dormir relativamente seco. Embalei também objetos os quais não podem se molhar, tais como dinheiro, isqueiro, lanterna, bagulho e seda. Roupas socadas em um saco de nylon para que não fiquem soltas na mochila. Isto facilita muito na manipulação dos objetos, principalmente na hora de recarregar de água o “costas de camelo”, além de servir como travesseiro na hora de dormir. Carreguei poucos volumes no compartimento principal da Crampom 44 e dei preferência aos objetos macios para não pressionar o costas de camelo que é resistente, mas poderia se romper e vazar todo suprimento de água, molhando ainda tudo fora dos sacos plásticos.

Sabendo do meu orçamento previ que meu principal modo de deslocamento teria de ser o mais barato de todos: pernas. Tendo que caminhar a maior parte do percurso, distribui bem o peso na mochila e regulei-a para minhas medidas de modo a ficar confortável. Objetos mais pesados em cima, leves em baixo. Ração diária (comida) acondicionada em compartimento separado de todos os outros objetos. Roupas e costas de camelo no principal, cobertor (saco de dormir) no compartimento próprio, casa (Bivak) numa lateral externa, colchão (isolante térmico) na outra. Sem primeiros socorros, sem repelente, “sem menção honrosa, sem massagem/ A vida é loka, nêgo. E nela eu to de passagem.” (Mano Brown)

Mais uma da série CVV e eu

21:01 Carolina – Rio Preto.SP:
21:01 pilulamarela: boa noite
21:01 Carolina – Rio Preto.SP: Como está você?
21:02 pilulamarela: eu diria normal, mas hj acordei pior
21:02 Carolina – Rio Preto.SP: algo aconteceu que vc não acordou bem…
21:03 pilulamarela: eh rotineiro
21:03 Carolina – Rio Preto.SP: costuma acontecer…
21:04 pilulamarela: a primeira vez que me lemro eu devia ter uns 7 anos de idade
21:04 pilulamarela: ultimamente tem sido em um grau bem maior
21:05 Carolina – Rio Preto.SP: agora está pior do que quando era mais novo…
21:05 pilulamarela: nao precisa ter um motivo especial para eu acordar assim, simplesmente acordo
21:06 Carolina – Rio Preto.SP: acorda de mau humor mesmo que não encontre uma razão para isso…
21:06 pilulamarela: bem pior, descobri muitas verdades dps q amadureci
21:06 Carolina – Rio Preto.SP: algumas verdades foram surgindo durante sua vida…
21:07 pilulamarela: na verdade eu tenho razões,mas elas nao parecem justificaveis para a maioria
21:07 Carolina – Rio Preto.SP: mas para você são razões verdadeiras e importantes…
21:08 pilulamarela: certamente
21:08 Carolina – Rio Preto.SP: e que precisariam ser respeitadas pelas outras pessoas
21:09 Carolina – Rio Preto.SP: ja q o sentimento é seu…
21:09 pilulamarela: sim. e por uma questão de liberdade e respeito ao outro.
21:10 Carolina – Rio Preto.SP: vc diz q cada um tem o direito de ter suas próprias opiniões…
21:10 Carolina – Rio Preto.SP: Concordo
21:11 pilulamarela: e eu poderia por exemplo preferir simplesmente não existir
21:11 Carolina – Rio Preto.SP: sua opção poderia ser não estar por aqui…
21:12 pilulamarela: sim. pq não?
21:12 pilulamarela: não estar em lugar algum
21:12 Carolina – Rio Preto.SP: seria uma escolha sua…
21:13 pilulamarela: certo. e essa escolha está se tornando cada dia mais plausível
21:14 Carolina – Rio Preto.SP: vc pensa q de repente pode fazer esta escolha…
21:14 pilulamarela: claramente. fico planejando e reconsiderando sobre a questão constantemente.
21:15 pilulamarela: quero ter muita certeza da minha escolha
21:16 Carolina – Rio Preto.SP: tem uma ideia dominante mas que, na sua opinião, precisa ser bem analisada…
21:16 pilulamarela: exato
21:17 pilulamarela: mas certos dias, como hj, sinto muita coerencia em faze-lo
21:18 Carolina – Rio Preto.SP: às vezes vc chega a ter a certeza de que é isto que quer…
21:18 Carolina – Rio Preto.SP: e em outros dias reconsidera…
21:19 pilulamarela: sim
21:19 Carolina – Rio Preto.SP: e a dúvida persiste …
21:20 pilulamarela: aham
21:21 Carolina – Rio Preto.SP: e tudo isto faz com que o mau humor esteja sempre presente , neh?
21:22 pilulamarela: quase o dia inteiro
21:23 Carolina – Rio Preto.SP: Compreendo que seus pensamentos recorrentes causem isto…
21:24 pilulamarela: entao… tem algum conselho? oq vc faz para se mater de pé?
21:27 Carolina – Rio Preto.SP: Conselho não tenho … Cada um tem sua experiência de vida e me mantenho de pé vivenciando-as …
21:28 pilulamarela: em quem se inspira filosoficamente?
21:28 Carolina – Rio Preto.SP: No Universo
21:29 pilulamarela: digo… filosofia de vida… o universo é algo que nem compreendemos. vamos nos ater nas dores humanas.
21:29 Carolina – Rio Preto.SP: buscar tirar aprendizagens de todo acontecimento…
21:31 pilulamarela: Neste caso, qual foi seu maior apredizado? dê um exemplo
21:31 Carolina – Rio Preto.SP: Vc dizia que precisa encontrar algo que o mantenha de pé…
21:31 Carolina – Rio Preto.SP: Gostaria de falar sobre você…
21:32 Carolina – Rio Preto.SP: Disse que descobriu varias verdades … Podia falar sobre isto…
21:32 pilulamarela: Nada, minha vida é ruim pacas. Ninguem que saber dela, não tiro sus razões, tb não quero saber a deles.
21:33 pilulamarela: A morte de Deus foi algo marcante. A discoberta que seu universo funciona de forma alógica transformou meu ser.
21:34 Carolina – Rio Preto.SP: Esta foi uma verdade que o modificou
21:35 pilulamarela: nao te modificaria?
21:36 Carolina – Rio Preto.SP: não sei avaliar isto…
21:36 pilulamarela: deveria
21:36 pilulamarela: já pensou em um mundo sem Deus?
21:37 pilulamarela: Desde o século XVII vem sendo um hipótese q se confirma a cada dia.
21:38 Carolina – Rio Preto.SP: e com a qual vc concorda creio que através de estudos e considerações a respeito…
21:39 pilulamarela: claro. além de não notar nada divino ao meu redor.
21:39 Carolina – Rio Preto.SP: respeito seu ponto de vista…
21:40 pilulamarela: só isso?
21:40 Carolina – Rio Preto.SP: sim
21:40 pilulamarela: e agora?
21:40 Carolina – Rio Preto.SP: como assim?
21:41 pilulamarela: fim de papo?
21:41 Carolina – Rio Preto.SP: continuo aqui para continuar ouvindo suas opiniões …
21:42 pilulamarela: pra isso eu tenho um blog
21:42 pilulamarela: https://pilulamarela.wordpress.com/
21:42 pilulamarela: a filosofia do suicídio
21:44 Carolina – Rio Preto.SP: no seu blog coloca reflexões sobre a filosofia do suicidio
21:44 pilulamarela: sim
21:44 Carolina – Rio Preto.SP: pelo que viemos conversando é um assunto que o fascina…
21:46 pilulamarela: É… e nesse minuto vc tá afim de ir pra balada, encontrar alguem que te faz melhor e se perguntando… pq esse cara não puxa logo o gatilho?
21:46 pilulamarela: falei besteira?
21:47 Carolina – Rio Preto.SP: vc se pergunta se falou algo inadequado …
21:47 pilulamarela: sim, na frase anterior
21:48 Carolina – Rio Preto.SP: entendo que tem todo direito de fazer sua avaliação…
21:49 pilulamarela: vcs são muito frios. acreditam mesmo ajudar alguem com o gatilho na mão? não é isso que fazem os pscanalistas?
21:50 pilulamarela: o lance de vcs é psicanalise? responda por favor.
21:50 Carolina – Rio Preto.SP: Não temos nenhuma intenção de profissionalismo. Somos leigos neste assunto.
21:51 Carolina – Rio Preto.SP: A disponibilidade do CVV se refere a proporcionar uma oportunidade para alguém falar de seus sentimentos quando está só e vivenciando uma crise emocional…
21:52 Carolina – Rio Preto.SP: Exercitamos atitudes reais e verdadeiras como aceitação, compreensão ,respeito e confiança…
21:53 pilulamarela: TRaduzindo… psicanalise por leigos?
21:53 pilulamarela: Vc é estagiária de psciologia?
21:53 pilulamarela: aposto
21:54 Carolina – Rio Preto.SP: Não sou. Sou voluntária do CVV preparada através de curso de formação e com toda disposição de compreender e valorizar a vida de todo e qualquer ser humano…
21:55 pilulamarela: Alguem já puxou o gatilho numa conversa? Isto te fascina não é?
21:56 Carolina – Rio Preto.SP: Vc gostaria de saber as experiências que vivenciamos em atendimentos…
21:57 pilulamarela: sim sim… rola? É pra me ajudar.
21:57 Carolina – Rio Preto.SP: Uma das características do trabalho é o sigilo…
21:59 pilulamarela: Estes papos pelo CVV nunca são muito produtivos, exceto pelo q falo.
21:59 Carolina – Rio Preto.SP: Não lhe agrada a forma de atender dos voluntarios do CVV…
22:00 pilulamarela: nao sei. muito cheio de protocolo. creio que deveriam ser mais humanos
22:02 pilulamarela: muito podem ser idiotas comuns, mas muitos podem realmente estarem a ponto de fazer algo, e o que el busca na verdade é um motivo pra prosseguir. Aui vcs não o oferecem.
22:04 Carolina – Rio Preto.SP: acreditamos que o trabalho é valorizar a vida e fazer com que cada um que nos liga chegue a esta conclusão
22:06 pilulamarela: então tá meu bem
22:06 pilulamarela: boa noite
22:06 pilulamarela: obrigado por tentar
22:06 Carolina – Rio Preto.SP: Boa noite!
22:06 Carolina – Rio Preto.SP: Sempre que quiser estaremos disponiveis para “ouví-lo” !!!
22:07 pilulamarela: entendi
22:07 pilulamarela: Proximo!!!
22:07 Carolina – Rio Preto.SP: Um abraço fraterno

Hoje eu acordei meio Nietzsche

German philosopher Friedrich Nietzsche posing ...

German philosopher Friedrich Nietzsche posing at the time of his writing ‘Also sprach Zarathustra’. Español: Retrato del filósofo alemán Friedrich Nietzsche, alrededor del tiempo en que escibió su obra ‘Así habló Zaratustra’. (Photo credit: Wikipedia)

Sabe quando a gente acorda naqueles dias? Não, porra! Eu não menstruo, tá me estranhando? To falando de quando você desperta naquelas manhã em que pensa quanto gostaria de ter acordado duro e gelado? Eu sei. Até eu acho isso meio forte, mas é frequente. Talvez eu tenha mesmo problemas? Ainda acho que não. Alguém sabe do que estou falando? Bom… fodas! Hoje eu acordei meio Nietzsche (num tem uma parada assim no facebook?). Então se não absorveu ainda o estado de espírito, veja o documentário da BBC – Humano, demasiado humano. Aí abaixo.

Como sou metido a besta, vou tentar resenhar. Vou pular a introdução e os dados técnicos acerca do documentário (vide rodapé youtube). Direto ás análises filosóficas, vamos separar alguns temas.

“Toda verdade na fé é infalível. Ela cumpre o que o crente espera encontrar nela. Porém, não oferece a mínima base para estabelecer uma verdade objetiva. Aqui, os caminhos dos homens se dividem. Se queres alcançar a paz e a felicidade, então crês. Se queres ser um discípulo da verdade, então busca.” (Carta à irmã Elizabeth)

Talvez o mais importante, a crise da fé, a revelação das dores do mundo moderno. Creio que a partir da revolução que Darwin trouxe em sua teoria, o homem pensante, o “homem absurdo” (Camus, Albert) se põe diante do maior dilema de sua vida: Manter Deus vivo em seu coraçãozinho, ou, matar a Deus e viver com a culpa e o vazio do mundo alógico, absurdo, demasiadamente humano sem Ele. Este embaraço, matar ou não, imagine a cena, ponha-se no lugar de pilatos. Está em suas mãos. Lavá-las ou não? Puxa o gatilho na nuca do Cristo (os romanos foram mais brutais em suas técnicas de execução) ou faz como “o primeiro vida loka da história, […](que) aos 45 do 2º, arrependido/salvo e perdoado. É, Dimas, o bandido”? Em certo trecho o documentário chega a questionar até que ponto, para Nietzsche, determinar a morte do divino o condenou a própria loucura, tamanha a dor que se impõe por isso.

A verdade de Sileno:  “A melhor coisa é não ter nascido. A segunda melhor é morrer logo.” (O Nascimento da Tragédia)

Sinto que não tive uma juventude dura como a de Nietzsche, o que talvez lhe servisse de prerrogativa para sentimentos que  nos são comuns, mas agora parece claro. Ele foi uma criança feliz, depois só desgraça. Garoto míope, se desenvolveu em um tipo esquisitão. Lutou na guerra como médico, onde pegou altas doenças. Parecia buscar algum alento para prosseguir em “Vontade de Poder” (o que me soa mais como “querer não é poder”). Nesta tentativa, buscava superar-se através do autoconhecimento, como terapia, meio que antecedendo algo que Freud se aprofundaria mais tarde. Vislumbrou em Zaratustra algo que hippies e punks pretenderam falidamente apoiar 100 anos depois: abandonar o sistema e viver na montanha.

No meu caso, o papel de Caifás vestiria melhor que a de Pilatos. Minha relação com o divino, antes mesmo de Darwin, já seria problemática por um simples motivo: incompatibilidade de filosofias. Ora, Cristo veio para salvar a humanidade. Eu, quero que ela se exploda. Vou mais longe, eu diria que se nossas filosofias, mais que incompatíveis são opostas, então, por coerência, além de romper com o cristianismo deveria também tornar-me anti-cristo. Mas uma coisa me difere. Minha vontade de poder ser Zaratustra me parece palpável ainda.

Da Servidão Moderna – Jean-François Brient

Em homenagem ao DIA DO TRABALHADOR, o post de hoje é um ótimo documentário para nos lembrar de tudo que já sabemos e fazemos questão de esquecer todas as manhãs. Devemos esquecer para conseguirmos reunir forças de se erguer da cama, bater cartão. Se consideramos que devemos dormir ao menos 8h/dia, dedicamos 50% de toda nossa juventude-adulta à um trabalho que raramente orgulha à si ou à alguém. Levando-se ainda em conta que a grande massa de escravos, digo, trabalhadores estão nos centros urbanos, em países como o Brasil onde o investimento em mobilidade urbana é pífio, este número pode aumentar muito. Reconhecendo que o patrão não remunera o tempo que o trabalhador gasta no trajeto casa-trabalho, ou seja, quem paga é você, proletário, então alguns podem passar 70% ou mais de seus mais vívidos dias… trabalhando.

Assim, FELIZ DIA DO TRABALHADOR. Eu já me aposentei aos 30 anos por opção. Não serão fáceis meus próximos dias, paciência. Tem gente que se aposenta por invalidez, o resto trabalha por este mesmo motivo.

Indo ao que interessa, é sim um ótimo vídeo para nos motivar a fazer o que é certo, para aqueles que querem deixar de servir ao sistema mercantil totalitário. E eu não to falando de separar lixinho, apagar as luzes por uma hora no “Dia da Terra” etc e o caralho dessas eco-chatices inventadas todos os dias pra tapiar. A pior coisa do mundo é ser babaca.

Sobre o documentário, adianto seu caráter panfletário, “fanzinista”, ou panfleto-fanzinista, talvez até fanzine-panfletário. Mas divulgo pois merece. Afinal, melhor um panfletismo marxista ao panfletismo burguês, moldado pela fala mansa dos sindicatos dos tempos modernos, da escravidão institucionalizada. É tudo aquilo que eu quero falar só que com um texto muito melhor, com uma edição legal, enfim, mais perfumada. O que tem ali não é novidade nenhuma, não é revolucionário (reacionário talvez), por vezes clichê, mas é muito bom para ver de vez em quando e lembrar que ali estão as mais puras verdades. Aliás, o documentário é muito oportuno exatamente por isso, por se tratarem de coisas quase óbvias mas das quais temos a necessidade de negar todos os dias para ser capaz de prosseguir.

Uma coisa discordo quanto ao que dizem no documentário. Segundo o texto “Hoje já não existe exílio possível”. Mas creio que ele existe, sei onde está, o que devo fazer, me recolher ao exílio da solidão, o mais longe possível da influencia desta marcha escravizante. Vou me salvar. Fiquem bem. Atualizo o Blog.

Calma. Não vou me matar ainda, só vou pra Bahia.

Da Servidão Moderna – Jean-François Brient – YouTube.

“The Walking Dead”. Muito além do massacre de zumbis.

American comic book artist Tony Moore (left) a...The Walking Dead é uma série apocalíptica de HQ que surgiu em 2003 criada por Robert Kirkman e o desenhista Tony Moore nos Estados Unidos. Para quem ainda não conhece vale a pena. A série se popularizou e virou uma muito bem sucedida produção roliudiana em vários aspectos, com destaque aos efeitos especiais e de maquiagem e a fidelidade dada ao excelente enredo original dos quadrinhos.  Aqui em terras tupiniquins ela começou a ser recentemente distribuída pela FOX, dividida em 4 temporadas, das quais nós, aficionados, já desfrutamos duas. Enfim, resumindo para que desperte mais interesse àqueles que estão boiando:

O protagonista (xerife de uma pequena cidade) acorda de um coma e se depara com o hospital e a cidade vazia. Ele descobre que um surto – sabe-se lá do quê –infectou quase toda a população e as pessoas que morreram viraram zumbis, restando apenas poucos sobreviventes agora. Sem energia e sem telecomunicações o mundo vira um caos e qualquer barulho pode atrair uma população de zumbis que arrancam suas tripas a luz do dia. Em um dos episódios ele consegue encontrar sua família (mulher e filho) que estão junto de um grupo de pessoas buscando o apoio mútuo como fator de sobrevivência.

Os sobreviventes habitam agora o cenário depois do apocalipse, e que parece bem pior do que o juízo final cristão. Aliás, tal lugar é a inversão dos sonhos revolucionários. O “novo” é bem pior do que o antigo. A Nova Jerusalém dos cristãos (ou o comunismo) passa mais próxima da descrição do Inferno de Dante. Mas nem tudo mudou. A sociedade ainda tem classes. E são duas: os vivos e os mortos-vivos. Os vivos são a minoria nada privilegiada agora, mas a guerra (a luta de classes) continua. viaTempos Safados: The Walking Dead: uma perspectiva da vida após o fim do mundo.

Mas a discussão acerca de The Walking Dead vai muito além dos personagens marcantes, crânios dilacerados, tripas, moscas, restos se arrastando com fome de carne viva, um apocalipse digno da imaginação de renomados “viajantes”, tais como Bosh, Da Vinci, Calígula, Nero, Aleijadinho e outros perturbados (no bom sentido). Façamos uma analogia entre a ficção e a nossa “realidade”. A partir daqui estas duas se confundirão.

Quem são aqueles que por algum motivo permanecem sãos, tentando formar pequenos grupos, mandando bala pra baixo contra as falange do mal? E quem são os zumbis que, de forma absolutamente instintiva, se engalfinham por um pouco daquilo que é seu, um pouco de você?

Os zumbis são a grande massa, são mortos-vivos alienados. Não agem coletivamente, ao contrário, é cada um por si, devorando o que podem. Entre a minoria saudável existem aqueles que por um motivo ou outro está sozinho, tentando nadar contra a corrente. Alguns se unem pra tentar sobreviver, mas até entre eles há divisão. Claro, tirando a massa de alienados, cada humano inteligente é único, discordâncias causam conflitos. Por isso alguns poucos preferem continuar sozinho. Me sinto um deles.

O mundo da minoria sã é duríssimo, por vezes é o próprio inferno. A esperança é pouca para alguns e nenhuma para outros. Certos sobreviventes se fingem de zumbi e se misturam a eles, imitando-os, fazendo o que fazem, inclusive se cobrindo de vísceras para esconder que são humanos. Esta estratégia é muito utilizada, me consenti dela até pouco tempo. No momento estou procurando um lugar seguro para fugir dos mortos, mas se não encontrar, talvez me torne um deles de vez.

Na minha opinião, o dilema mais interessante da série paira sobre este ponto. Se você é um sobrevivente vai entender e se perguntar onde se encaixa neste paralelo entre trama e vida real.

1) Humano saudável vestido de zumbi. Age como eles e chafurda na carne podre, porém continua vivendo sem grandes questionamentos sobre a validade de fazê-lo. Por isso é um infeliz, mas vai se casar sem conhecer o amor e ter um emprego que pague as contas. Ah sim! E rezar pra que melhore.

The Christopher Walken Dead2) Sobrevivente Afiliado. Você não quer parecer zumbi e é foda viver sozinho neste mundo. Mas encontrou outros que pensam parecido e juntos se oferecem alguma segurança na hora de destruir algumas cabeças de zumbi. De vez em quando um te salva, você salva alguém, uns são mais fortes, outros mais inseguros. Então surgem conflitos, conveniências, coisa e tal e, de repente, se depara com alternativas. a)persiste em viver o inferno como um sobrevivente solitário; b) volta a imitar zumbi; c) desiste por aqui e se mata antes de ser estripado vivo.

Representantes dos solitários

 

3) Sobrevivente solitário. Por vezes o mais fraco entre os outros grupos, mas o mais poderoso quando se poe diante da necessidade de prosseguir. Quanto mais sobrevive sozinho, mais forte se torna. Para este existem duas opções. Vai depender da corrente que  assumir na jornada: a) Os Crentes. Estes vai pagar pra ver com alguma esperança em uma redenção. b) Os Descrentes. Estes podem de teimosia pagar pra ver sem garantia nenhuma do que vem depois, ou, acelerar o processo e cair fora deste mundo.

Moral da história é que no fundo, o que todos os grupos procuram é um lugar seguro. Mas a ironia é… se todos os sobreviventes forem para este lugar seguro, então, não mais existirá lugar seguro.

A série aborda vários temas como suicídio, Deus, o homem, e outras de maneira muito séria, inteligente e pertinente. Na verdade, pela ótima trama, o lance todo de zumbi só serve como plano de fundo para discussões diversas , aliás, um plano de fundo que só faz acrescentar elogios à The Walking Dead pelos efeitos especiais e maquiagem dos figurantes (zumbis) de primeira linha. As cenas são muito chocantes pela produção bem feita e pela horripilância dos fatos, principalmente baseados na podridão da carne morta e do manejo de cadáveres (atenção carnívoros, na minha opinião isto se aplica aos animais).

Por enquanto só o trailler da série em vídeo, talvez depois eu coloque episódios completos que tenho aqui.