CRASS “Não há autoridade a não ser você mesmo” – Anarquia além do discurso punk-meia-sola

“E se é verdade, como pretende Nietzsche, que um filósofo, para ser confiável, deve pregar com o exemplo[…]”

… então, CRASS é um modelo de coerência entre discurso e ação. Não se trata de uma banda, mas de uma ideologia que se tornou maior do que sua música. Este post não trata de punks pregando o anarquismo, mas sim de anarquistas meramente punks.

Crass logo

Crass logo (Photo credit: Leo Reynolds)

Venho neste blog tentando traçar uma linha filosófica ao mesmo tempo em que a construo como meus próprios ideais. Até aqui me entendo como um cinico-anarcoindividualista-agnóstico. Sequer gosto de punk, nem enquanto cena musical, nem enquanto movimento, menos ainda me identifico e/ou acredito na juventude que assim se declara. Afinal, onde estão os Titãs dos 80’s? Por isso insisto em separar punk e anarquismo. Este ultimo surgiu muito antes, na Antiga Grécia, vestida de coerência na figura de Diógenes de Sinope.

Ainda sou um pássaro cativo em uma gaiola aberta. Sei que posso sair, mas ainda não devo. Segue então o documentário sobre pessoas que vivenciaram e vivenciam sua filosofia de vida. Me fez pensar que se eu fosse o messias retornado, não pregaria o AMOR incondicional ao próximo. É utopia. Não é da natureza humana. O primeiro mandamento deveria tratar de RESPEITO. O respeito é mais real, mais tangível e mais redentor que o amor. Sendo assim… fiquem com o vídeo, ou se preferir ter gravado (recomendado), pode também baixar o torrent.

Título original : There is no authority but yourself.
Duração : 64 minutos
Ano da produção : 2006
Direção,câmera e edição : Alexander Oey.
Legenda : Português

Da Servidão Moderna – Jean-François Brient

Em homenagem ao DIA DO TRABALHADOR, o post de hoje é um ótimo documentário para nos lembrar de tudo que já sabemos e fazemos questão de esquecer todas as manhãs. Devemos esquecer para conseguirmos reunir forças de se erguer da cama, bater cartão. Se consideramos que devemos dormir ao menos 8h/dia, dedicamos 50% de toda nossa juventude-adulta à um trabalho que raramente orgulha à si ou à alguém. Levando-se ainda em conta que a grande massa de escravos, digo, trabalhadores estão nos centros urbanos, em países como o Brasil onde o investimento em mobilidade urbana é pífio, este número pode aumentar muito. Reconhecendo que o patrão não remunera o tempo que o trabalhador gasta no trajeto casa-trabalho, ou seja, quem paga é você, proletário, então alguns podem passar 70% ou mais de seus mais vívidos dias… trabalhando.

Assim, FELIZ DIA DO TRABALHADOR. Eu já me aposentei aos 30 anos por opção. Não serão fáceis meus próximos dias, paciência. Tem gente que se aposenta por invalidez, o resto trabalha por este mesmo motivo.

Indo ao que interessa, é sim um ótimo vídeo para nos motivar a fazer o que é certo, para aqueles que querem deixar de servir ao sistema mercantil totalitário. E eu não to falando de separar lixinho, apagar as luzes por uma hora no “Dia da Terra” etc e o caralho dessas eco-chatices inventadas todos os dias pra tapiar. A pior coisa do mundo é ser babaca.

Sobre o documentário, adianto seu caráter panfletário, “fanzinista”, ou panfleto-fanzinista, talvez até fanzine-panfletário. Mas divulgo pois merece. Afinal, melhor um panfletismo marxista ao panfletismo burguês, moldado pela fala mansa dos sindicatos dos tempos modernos, da escravidão institucionalizada. É tudo aquilo que eu quero falar só que com um texto muito melhor, com uma edição legal, enfim, mais perfumada. O que tem ali não é novidade nenhuma, não é revolucionário (reacionário talvez), por vezes clichê, mas é muito bom para ver de vez em quando e lembrar que ali estão as mais puras verdades. Aliás, o documentário é muito oportuno exatamente por isso, por se tratarem de coisas quase óbvias mas das quais temos a necessidade de negar todos os dias para ser capaz de prosseguir.

Uma coisa discordo quanto ao que dizem no documentário. Segundo o texto “Hoje já não existe exílio possível”. Mas creio que ele existe, sei onde está, o que devo fazer, me recolher ao exílio da solidão, o mais longe possível da influencia desta marcha escravizante. Vou me salvar. Fiquem bem. Atualizo o Blog.

Calma. Não vou me matar ainda, só vou pra Bahia.

Da Servidão Moderna – Jean-François Brient – YouTube.

Quer ser feliz no amor? Schopenhauer ajuda.

Quanto mais procuro idéias, mais me convenço de que o homem moderno, detentor de seu aparato técnico-científico, controlador de si e até mesmo conquistador de relativo domínio sobre a natureza, soberano de todas as espécies que habitam a Terra, este homem capaz de levar o bem-estar-social a todos os confins do planeta através de seu pensamento redentor (mais conhecido como neoliberalismo) é o mesmo que orienta sua noção de felicidade nos mais primitivos instintos animais. 15 mil anos depois, o homem ainda é o mais animal dos animais.

Há muito me dizem que o homo sapiens é o mais evoluído intelectualmente entre as outras espécies. Sobre isto tenho muitas dúvidas (ainda acho que baleias, golfinhos, elefantes e gatos o são). Mas conquistar a racionalidade para depois ignorá-la por completo em detrimento de instintos primitivos me fazem questionar essa pretensa superioridade.

Hoje a coisa é mais sinistra. Para muitos as interações com as diversas mídias podem potencializar nossa ignorância. O Bicho-Papão dos socialistas de outrora, o American Way of Life dos tempos de Ford, depois de se apaixonar, casar e ter filhos com a virtuosa Dama Revolução Tecno-científica (Geni) deram início à família globalização. Hoje eles se ocupam, entre outras coisas, de criarem desejos para nossas mentes sedentas de amor, nos aproximando ainda mais de nossos irmãos bovinos, não por devorá-los, mas por pastar e ruminar como tais.

Segue abaixo o link para um post muito interessante que encontrei nessa ferramenta internet (que não renego de maneira alguma. O alienado muitas vezes está do outro lado do vídeo, não na rede em geral) que contem 3 vídeos sobre uma visão mais racional do amor. Por posts assim que tento desesperadamente me aproximar de certos caras como Diógenes de Sinope, Camus, Schopenhauer… e menos do homo ocidentalis

Filosofia para o Dia-a-Dia: Schopenhauer e o Amor – Blog do Nicholas.

Estes posts, se analisados em conjunto, vão delineando uma certa filosofia de via que já começa a ser reconhecida. Por aí passa a filosofia do suicídio. Devemos discutir o outro lado da morte voluntária, alías, esta sim ato estritamente racional e humano.

Diógenes. O maior dos cínicos.

Atenção, desavisados! O título é um grande elogio a um cara que merece muito respeito. Profundo em suas idéias, coerente, culto, convicto em seus ideais e por isso tudo se tornou o mais influente… mendigo da história. Sim, estou falando de Diógenes de Sinope.

Diógenes foi discípulo de um carinha aí, um tal de Antístenes que andava muito com Sócrates. Eles debatiam muito a corrente filosófica do cinismo que pregava essencialmente o desapego aos bens materiais e externos. Ah tah! Então eu vou deixar tudo que tenho, casa, família, “amigos”, amores, não vou comer ninguém, não vou ter um trabalho respeitado, coisa e tal? Foi exatamente o que fez Diógenes.

Para nós, meros vermes ditados pelos paradigmas ocidentais é muito fácil perguntar “por que eu faria isto?”. Isto porque somos compulsoriamente convencidos de que o único padrão de felicidade só pode ser concebido através do sucesso alcançado no competitivo sistema capitalista. Mas o fato é que pouquíssimos o alcançam, menos de 1% da população eu acho tem uma vida plena de amor em família, conforto financeiro e satisfação com o trabalho. Por que na realidade reunir tudo isso é muito difícil. Então temos que 99% da civilização ocidental tem algum nível de frustração que pode ir de um grau leve à um grau elevado. E por aí Freud pode decorrer muito melhor que eu.

Então se refletirmos sobre o cinismos podemos vislumbrar um grau de frustração menor simplesmente por ter ambições menores (na verdade o que se busca é a completa autossuficiência). Menor frustração é igual a maior grau de felicidade. Ou seja, almejar pouco para ter pouco o que perder. Algo assim. Posso me imaginar um ser até mais livre.

Bom, mas o que eu realmente gostaria de falar era deste cara cuja maior parte do que se sabe sobre sua vida é contada por anedotas reunidas naquele tempo. Por acreditar que a virtude era melhor revelada na ação e não na teoria, sua vida consistiu duma campanha incansável para desbancar as instituições e valores sociais do que ele via como uma sociedade corrupta (alguma afinidade?). Daí então Tornou-se um mendigo que habitava as ruas de Atenas. Diz-se que teria vivido num grande barril no lugar de uma casa (É! Tipo o Chaves), e perambulava pelas ruas carregando uma lamparina, durante o dia, alegando estar procurando por um homem honesto. O que a lanterna de Diógenes procurava? Alguém que carregasse consigo o ideal cínico da autossuficiência: uma vida que fosse natural e não dependesse das luxúrias da civilização.

Existem outras loucuras sobre este camarada excêntrico que postarei em outras ocasiões. Merece. Mas a conclusão de hoje é que, radicalismos a parte, podem existir categorias de mendigos e que podemos sim viver com menos, mais frugalmente. Esta se tornou minha filosofia, tornará-se-a meu modo de vida.

“as vezes eu acho que todo preto como eu/ só qué um terreno no mato só seu/ sem luxo, descalço, nadar no riacho/ sem fome, pegando as fruta no cacho/ aí truta, é o que eu acho, quero também, mas em São Paulo, Deus é uma nota de cem.” (Brown, Mano, Racionais MC’s – Vida Loka pt 2)

Em breve minhas idéias sobre como pretendo colocar meus ideais cínicos em prática.

“Os piores escravos são aqueles q estão constantemente servindo as paixões.”

Diógenes