Diógenes. O maior dos cínicos.

Atenção, desavisados! O título é um grande elogio a um cara que merece muito respeito. Profundo em suas idéias, coerente, culto, convicto em seus ideais e por isso tudo se tornou o mais influente… mendigo da história. Sim, estou falando de Diógenes de Sinope.

Diógenes foi discípulo de um carinha aí, um tal de Antístenes que andava muito com Sócrates. Eles debatiam muito a corrente filosófica do cinismo que pregava essencialmente o desapego aos bens materiais e externos. Ah tah! Então eu vou deixar tudo que tenho, casa, família, “amigos”, amores, não vou comer ninguém, não vou ter um trabalho respeitado, coisa e tal? Foi exatamente o que fez Diógenes.

Para nós, meros vermes ditados pelos paradigmas ocidentais é muito fácil perguntar “por que eu faria isto?”. Isto porque somos compulsoriamente convencidos de que o único padrão de felicidade só pode ser concebido através do sucesso alcançado no competitivo sistema capitalista. Mas o fato é que pouquíssimos o alcançam, menos de 1% da população eu acho tem uma vida plena de amor em família, conforto financeiro e satisfação com o trabalho. Por que na realidade reunir tudo isso é muito difícil. Então temos que 99% da civilização ocidental tem algum nível de frustração que pode ir de um grau leve à um grau elevado. E por aí Freud pode decorrer muito melhor que eu.

Então se refletirmos sobre o cinismos podemos vislumbrar um grau de frustração menor simplesmente por ter ambições menores (na verdade o que se busca é a completa autossuficiência). Menor frustração é igual a maior grau de felicidade. Ou seja, almejar pouco para ter pouco o que perder. Algo assim. Posso me imaginar um ser até mais livre.

Bom, mas o que eu realmente gostaria de falar era deste cara cuja maior parte do que se sabe sobre sua vida é contada por anedotas reunidas naquele tempo. Por acreditar que a virtude era melhor revelada na ação e não na teoria, sua vida consistiu duma campanha incansável para desbancar as instituições e valores sociais do que ele via como uma sociedade corrupta (alguma afinidade?). Daí então Tornou-se um mendigo que habitava as ruas de Atenas. Diz-se que teria vivido num grande barril no lugar de uma casa (É! Tipo o Chaves), e perambulava pelas ruas carregando uma lamparina, durante o dia, alegando estar procurando por um homem honesto. O que a lanterna de Diógenes procurava? Alguém que carregasse consigo o ideal cínico da autossuficiência: uma vida que fosse natural e não dependesse das luxúrias da civilização.

Existem outras loucuras sobre este camarada excêntrico que postarei em outras ocasiões. Merece. Mas a conclusão de hoje é que, radicalismos a parte, podem existir categorias de mendigos e que podemos sim viver com menos, mais frugalmente. Esta se tornou minha filosofia, tornará-se-a meu modo de vida.

“as vezes eu acho que todo preto como eu/ só qué um terreno no mato só seu/ sem luxo, descalço, nadar no riacho/ sem fome, pegando as fruta no cacho/ aí truta, é o que eu acho, quero também, mas em São Paulo, Deus é uma nota de cem.” (Brown, Mano, Racionais MC’s – Vida Loka pt 2)

Em breve minhas idéias sobre como pretendo colocar meus ideais cínicos em prática.

“Os piores escravos são aqueles q estão constantemente servindo as paixões.”

Diógenes

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