“Paranoid” – Um raro momento de lucidez lírica em Black Sabbath

Não estou aqui querendo fazer uma crítica à uma banda que, aliás, marcou meu melhores momentos de rebeldia. A banda, enquanto conjunto, é uma das melhores na playlist da minha existência e é inegável o fascínio que me causa o peso do som, underground, sombrio.

Fato é que, as letras nunca foram o forte do Black Sabbath. Soa meio forçadamente diabólico. A personalidade meio “sequelada” de Ozzy destoa da competência musical dos outros componentes. O contrabaixo marcado e pesado de Butler, a bateria hipnoticamente espancando os pratos de Bill Ward, e os clássicos rifes da guitarra de Tony Iommi em nada combinavam com o talento lírico de nosso vocalista (não discuto aqui seu talento enquanto vocalista, mas sim como letrista), que compunha coisas que mais parecem tiradas de um diálogo do Toninho do Diabo.

Bom… mas toda regra tem sua exceção: Na música Paranoid, Ozzy é simples, fala de seus sentimentos mais amargurados. Ozzy era um jovem amargurado, por isso, quando se propôs a falar disso de maneira descompromissada com o mal fez um ótimo trabalho. Tudo bem que isto foi até onde sua personalidade metaleira lhe permitiu. Aliás, não há no mundo ser mais fracassado e bobão que o metaleiro. Eu mesmo já fui um e posso dizer isto de camarote. Voltando as vacas frias, Paranoid é uma música que retrata de forma, mais ou menos superficial, uma alma vazia, sem esperança, sem nada. Camus dizia algo parecido com isso: Triste é quando alguém lhe pergunta “O que você tem?”, e você responde “Nada”, mas o pior mesmo é quando esta resposta é totalmente franca.

Isso não é coisa de metaleiro, mas vamos analisar alguns trechos

“Finished with my woman cuase she coldn’t help me with my mind”

Normal, homens e mulheres procuram preencher seus vazios no sexo oposto, melhor, no sexo (vai que não seja oposto).

“People think I’m insane because I’m frownig all the time”

Poisé. Minha mãe também pensa que meu caso é de psiquiatria. Minha avó, de exorcismo.

“All day long I think of things but nothing seems to satisfy
Think I’ll lose my mind if I don’t find something to pacify

Can you help me? Occupy my brain?”

Para um suicida em potencial, não encontrar algo pra acalmar pode tornar a expressão “perder a cabeça” (lose my mind) algo mais literal.

Uma pílula amarela ou LSD, cogumelo, ou mesmo uma trepadinha poderia ajudar a ocupar a mente. Nada mais que isso.

“I need someone to show me the things in life that I can’t find
I can’t see the things that make true happiness, I must be blind”

Não meu caro, você não está sozinho. Assim caminha a humanidade. Menos ainda estás cego, ao contrário, parece enxergar melhor que a maioria do ocidente.

“Make a joke and I will sigh and you will laugh and I will cry
Happiness I cannot feel like love to me is so unreal”

Imaginar a cena do primeiro verso me fez rir. Agora, amor? Felicidade? Isso é coisa de novela. E há muito parei de assistir.

“And so as you hear these words telling you now of my state
I tell you to enjoy life I wish I could but it’s too late”

Chave de ouro. Perfeito. Só posso concordar. Talvez as palavras mais lúcidas de Mr. Osbourne.

Abaixo segue o vídeo com legenda em português para os aficionados monolíngue.

Hoje eu acordei meio Nietzsche

German philosopher Friedrich Nietzsche posing ...

German philosopher Friedrich Nietzsche posing at the time of his writing ‘Also sprach Zarathustra’. Español: Retrato del filósofo alemán Friedrich Nietzsche, alrededor del tiempo en que escibió su obra ‘Así habló Zaratustra’. (Photo credit: Wikipedia)

Sabe quando a gente acorda naqueles dias? Não, porra! Eu não menstruo, tá me estranhando? To falando de quando você desperta naquelas manhã em que pensa quanto gostaria de ter acordado duro e gelado? Eu sei. Até eu acho isso meio forte, mas é frequente. Talvez eu tenha mesmo problemas? Ainda acho que não. Alguém sabe do que estou falando? Bom… fodas! Hoje eu acordei meio Nietzsche (num tem uma parada assim no facebook?). Então se não absorveu ainda o estado de espírito, veja o documentário da BBC – Humano, demasiado humano. Aí abaixo.

Como sou metido a besta, vou tentar resenhar. Vou pular a introdução e os dados técnicos acerca do documentário (vide rodapé youtube). Direto ás análises filosóficas, vamos separar alguns temas.

“Toda verdade na fé é infalível. Ela cumpre o que o crente espera encontrar nela. Porém, não oferece a mínima base para estabelecer uma verdade objetiva. Aqui, os caminhos dos homens se dividem. Se queres alcançar a paz e a felicidade, então crês. Se queres ser um discípulo da verdade, então busca.” (Carta à irmã Elizabeth)

Talvez o mais importante, a crise da fé, a revelação das dores do mundo moderno. Creio que a partir da revolução que Darwin trouxe em sua teoria, o homem pensante, o “homem absurdo” (Camus, Albert) se põe diante do maior dilema de sua vida: Manter Deus vivo em seu coraçãozinho, ou, matar a Deus e viver com a culpa e o vazio do mundo alógico, absurdo, demasiadamente humano sem Ele. Este embaraço, matar ou não, imagine a cena, ponha-se no lugar de pilatos. Está em suas mãos. Lavá-las ou não? Puxa o gatilho na nuca do Cristo (os romanos foram mais brutais em suas técnicas de execução) ou faz como “o primeiro vida loka da história, […](que) aos 45 do 2º, arrependido/salvo e perdoado. É, Dimas, o bandido”? Em certo trecho o documentário chega a questionar até que ponto, para Nietzsche, determinar a morte do divino o condenou a própria loucura, tamanha a dor que se impõe por isso.

A verdade de Sileno:  “A melhor coisa é não ter nascido. A segunda melhor é morrer logo.” (O Nascimento da Tragédia)

Sinto que não tive uma juventude dura como a de Nietzsche, o que talvez lhe servisse de prerrogativa para sentimentos que  nos são comuns, mas agora parece claro. Ele foi uma criança feliz, depois só desgraça. Garoto míope, se desenvolveu em um tipo esquisitão. Lutou na guerra como médico, onde pegou altas doenças. Parecia buscar algum alento para prosseguir em “Vontade de Poder” (o que me soa mais como “querer não é poder”). Nesta tentativa, buscava superar-se através do autoconhecimento, como terapia, meio que antecedendo algo que Freud se aprofundaria mais tarde. Vislumbrou em Zaratustra algo que hippies e punks pretenderam falidamente apoiar 100 anos depois: abandonar o sistema e viver na montanha.

No meu caso, o papel de Caifás vestiria melhor que a de Pilatos. Minha relação com o divino, antes mesmo de Darwin, já seria problemática por um simples motivo: incompatibilidade de filosofias. Ora, Cristo veio para salvar a humanidade. Eu, quero que ela se exploda. Vou mais longe, eu diria que se nossas filosofias, mais que incompatíveis são opostas, então, por coerência, além de romper com o cristianismo deveria também tornar-me anti-cristo. Mas uma coisa me difere. Minha vontade de poder ser Zaratustra me parece palpável ainda.

Da Servidão Moderna – Jean-François Brient

Em homenagem ao DIA DO TRABALHADOR, o post de hoje é um ótimo documentário para nos lembrar de tudo que já sabemos e fazemos questão de esquecer todas as manhãs. Devemos esquecer para conseguirmos reunir forças de se erguer da cama, bater cartão. Se consideramos que devemos dormir ao menos 8h/dia, dedicamos 50% de toda nossa juventude-adulta à um trabalho que raramente orgulha à si ou à alguém. Levando-se ainda em conta que a grande massa de escravos, digo, trabalhadores estão nos centros urbanos, em países como o Brasil onde o investimento em mobilidade urbana é pífio, este número pode aumentar muito. Reconhecendo que o patrão não remunera o tempo que o trabalhador gasta no trajeto casa-trabalho, ou seja, quem paga é você, proletário, então alguns podem passar 70% ou mais de seus mais vívidos dias… trabalhando.

Assim, FELIZ DIA DO TRABALHADOR. Eu já me aposentei aos 30 anos por opção. Não serão fáceis meus próximos dias, paciência. Tem gente que se aposenta por invalidez, o resto trabalha por este mesmo motivo.

Indo ao que interessa, é sim um ótimo vídeo para nos motivar a fazer o que é certo, para aqueles que querem deixar de servir ao sistema mercantil totalitário. E eu não to falando de separar lixinho, apagar as luzes por uma hora no “Dia da Terra” etc e o caralho dessas eco-chatices inventadas todos os dias pra tapiar. A pior coisa do mundo é ser babaca.

Sobre o documentário, adianto seu caráter panfletário, “fanzinista”, ou panfleto-fanzinista, talvez até fanzine-panfletário. Mas divulgo pois merece. Afinal, melhor um panfletismo marxista ao panfletismo burguês, moldado pela fala mansa dos sindicatos dos tempos modernos, da escravidão institucionalizada. É tudo aquilo que eu quero falar só que com um texto muito melhor, com uma edição legal, enfim, mais perfumada. O que tem ali não é novidade nenhuma, não é revolucionário (reacionário talvez), por vezes clichê, mas é muito bom para ver de vez em quando e lembrar que ali estão as mais puras verdades. Aliás, o documentário é muito oportuno exatamente por isso, por se tratarem de coisas quase óbvias mas das quais temos a necessidade de negar todos os dias para ser capaz de prosseguir.

Uma coisa discordo quanto ao que dizem no documentário. Segundo o texto “Hoje já não existe exílio possível”. Mas creio que ele existe, sei onde está, o que devo fazer, me recolher ao exílio da solidão, o mais longe possível da influencia desta marcha escravizante. Vou me salvar. Fiquem bem. Atualizo o Blog.

Calma. Não vou me matar ainda, só vou pra Bahia.

Da Servidão Moderna – Jean-François Brient – YouTube.

Quer ser feliz no amor? Schopenhauer ajuda.

Quanto mais procuro idéias, mais me convenço de que o homem moderno, detentor de seu aparato técnico-científico, controlador de si e até mesmo conquistador de relativo domínio sobre a natureza, soberano de todas as espécies que habitam a Terra, este homem capaz de levar o bem-estar-social a todos os confins do planeta através de seu pensamento redentor (mais conhecido como neoliberalismo) é o mesmo que orienta sua noção de felicidade nos mais primitivos instintos animais. 15 mil anos depois, o homem ainda é o mais animal dos animais.

Há muito me dizem que o homo sapiens é o mais evoluído intelectualmente entre as outras espécies. Sobre isto tenho muitas dúvidas (ainda acho que baleias, golfinhos, elefantes e gatos o são). Mas conquistar a racionalidade para depois ignorá-la por completo em detrimento de instintos primitivos me fazem questionar essa pretensa superioridade.

Hoje a coisa é mais sinistra. Para muitos as interações com as diversas mídias podem potencializar nossa ignorância. O Bicho-Papão dos socialistas de outrora, o American Way of Life dos tempos de Ford, depois de se apaixonar, casar e ter filhos com a virtuosa Dama Revolução Tecno-científica (Geni) deram início à família globalização. Hoje eles se ocupam, entre outras coisas, de criarem desejos para nossas mentes sedentas de amor, nos aproximando ainda mais de nossos irmãos bovinos, não por devorá-los, mas por pastar e ruminar como tais.

Segue abaixo o link para um post muito interessante que encontrei nessa ferramenta internet (que não renego de maneira alguma. O alienado muitas vezes está do outro lado do vídeo, não na rede em geral) que contem 3 vídeos sobre uma visão mais racional do amor. Por posts assim que tento desesperadamente me aproximar de certos caras como Diógenes de Sinope, Camus, Schopenhauer… e menos do homo ocidentalis

Filosofia para o Dia-a-Dia: Schopenhauer e o Amor – Blog do Nicholas.

Estes posts, se analisados em conjunto, vão delineando uma certa filosofia de via que já começa a ser reconhecida. Por aí passa a filosofia do suicídio. Devemos discutir o outro lado da morte voluntária, alías, esta sim ato estritamente racional e humano.

“The Walking Dead”. Muito além do massacre de zumbis.

American comic book artist Tony Moore (left) a...The Walking Dead é uma série apocalíptica de HQ que surgiu em 2003 criada por Robert Kirkman e o desenhista Tony Moore nos Estados Unidos. Para quem ainda não conhece vale a pena. A série se popularizou e virou uma muito bem sucedida produção roliudiana em vários aspectos, com destaque aos efeitos especiais e de maquiagem e a fidelidade dada ao excelente enredo original dos quadrinhos.  Aqui em terras tupiniquins ela começou a ser recentemente distribuída pela FOX, dividida em 4 temporadas, das quais nós, aficionados, já desfrutamos duas. Enfim, resumindo para que desperte mais interesse àqueles que estão boiando:

O protagonista (xerife de uma pequena cidade) acorda de um coma e se depara com o hospital e a cidade vazia. Ele descobre que um surto – sabe-se lá do quê –infectou quase toda a população e as pessoas que morreram viraram zumbis, restando apenas poucos sobreviventes agora. Sem energia e sem telecomunicações o mundo vira um caos e qualquer barulho pode atrair uma população de zumbis que arrancam suas tripas a luz do dia. Em um dos episódios ele consegue encontrar sua família (mulher e filho) que estão junto de um grupo de pessoas buscando o apoio mútuo como fator de sobrevivência.

Os sobreviventes habitam agora o cenário depois do apocalipse, e que parece bem pior do que o juízo final cristão. Aliás, tal lugar é a inversão dos sonhos revolucionários. O “novo” é bem pior do que o antigo. A Nova Jerusalém dos cristãos (ou o comunismo) passa mais próxima da descrição do Inferno de Dante. Mas nem tudo mudou. A sociedade ainda tem classes. E são duas: os vivos e os mortos-vivos. Os vivos são a minoria nada privilegiada agora, mas a guerra (a luta de classes) continua. viaTempos Safados: The Walking Dead: uma perspectiva da vida após o fim do mundo.

Mas a discussão acerca de The Walking Dead vai muito além dos personagens marcantes, crânios dilacerados, tripas, moscas, restos se arrastando com fome de carne viva, um apocalipse digno da imaginação de renomados “viajantes”, tais como Bosh, Da Vinci, Calígula, Nero, Aleijadinho e outros perturbados (no bom sentido). Façamos uma analogia entre a ficção e a nossa “realidade”. A partir daqui estas duas se confundirão.

Quem são aqueles que por algum motivo permanecem sãos, tentando formar pequenos grupos, mandando bala pra baixo contra as falange do mal? E quem são os zumbis que, de forma absolutamente instintiva, se engalfinham por um pouco daquilo que é seu, um pouco de você?

Os zumbis são a grande massa, são mortos-vivos alienados. Não agem coletivamente, ao contrário, é cada um por si, devorando o que podem. Entre a minoria saudável existem aqueles que por um motivo ou outro está sozinho, tentando nadar contra a corrente. Alguns se unem pra tentar sobreviver, mas até entre eles há divisão. Claro, tirando a massa de alienados, cada humano inteligente é único, discordâncias causam conflitos. Por isso alguns poucos preferem continuar sozinho. Me sinto um deles.

O mundo da minoria sã é duríssimo, por vezes é o próprio inferno. A esperança é pouca para alguns e nenhuma para outros. Certos sobreviventes se fingem de zumbi e se misturam a eles, imitando-os, fazendo o que fazem, inclusive se cobrindo de vísceras para esconder que são humanos. Esta estratégia é muito utilizada, me consenti dela até pouco tempo. No momento estou procurando um lugar seguro para fugir dos mortos, mas se não encontrar, talvez me torne um deles de vez.

Na minha opinião, o dilema mais interessante da série paira sobre este ponto. Se você é um sobrevivente vai entender e se perguntar onde se encaixa neste paralelo entre trama e vida real.

1) Humano saudável vestido de zumbi. Age como eles e chafurda na carne podre, porém continua vivendo sem grandes questionamentos sobre a validade de fazê-lo. Por isso é um infeliz, mas vai se casar sem conhecer o amor e ter um emprego que pague as contas. Ah sim! E rezar pra que melhore.

The Christopher Walken Dead2) Sobrevivente Afiliado. Você não quer parecer zumbi e é foda viver sozinho neste mundo. Mas encontrou outros que pensam parecido e juntos se oferecem alguma segurança na hora de destruir algumas cabeças de zumbi. De vez em quando um te salva, você salva alguém, uns são mais fortes, outros mais inseguros. Então surgem conflitos, conveniências, coisa e tal e, de repente, se depara com alternativas. a)persiste em viver o inferno como um sobrevivente solitário; b) volta a imitar zumbi; c) desiste por aqui e se mata antes de ser estripado vivo.

Representantes dos solitários

 

3) Sobrevivente solitário. Por vezes o mais fraco entre os outros grupos, mas o mais poderoso quando se poe diante da necessidade de prosseguir. Quanto mais sobrevive sozinho, mais forte se torna. Para este existem duas opções. Vai depender da corrente que  assumir na jornada: a) Os Crentes. Estes vai pagar pra ver com alguma esperança em uma redenção. b) Os Descrentes. Estes podem de teimosia pagar pra ver sem garantia nenhuma do que vem depois, ou, acelerar o processo e cair fora deste mundo.

Moral da história é que no fundo, o que todos os grupos procuram é um lugar seguro. Mas a ironia é… se todos os sobreviventes forem para este lugar seguro, então, não mais existirá lugar seguro.

A série aborda vários temas como suicídio, Deus, o homem, e outras de maneira muito séria, inteligente e pertinente. Na verdade, pela ótima trama, o lance todo de zumbi só serve como plano de fundo para discussões diversas , aliás, um plano de fundo que só faz acrescentar elogios à The Walking Dead pelos efeitos especiais e maquiagem dos figurantes (zumbis) de primeira linha. As cenas são muito chocantes pela produção bem feita e pela horripilância dos fatos, principalmente baseados na podridão da carne morta e do manejo de cadáveres (atenção carnívoros, na minha opinião isto se aplica aos animais).

Por enquanto só o trailler da série em vídeo, talvez depois eu coloque episódios completos que tenho aqui.

Diógenes. O maior dos cínicos.

Atenção, desavisados! O título é um grande elogio a um cara que merece muito respeito. Profundo em suas idéias, coerente, culto, convicto em seus ideais e por isso tudo se tornou o mais influente… mendigo da história. Sim, estou falando de Diógenes de Sinope.

Diógenes foi discípulo de um carinha aí, um tal de Antístenes que andava muito com Sócrates. Eles debatiam muito a corrente filosófica do cinismo que pregava essencialmente o desapego aos bens materiais e externos. Ah tah! Então eu vou deixar tudo que tenho, casa, família, “amigos”, amores, não vou comer ninguém, não vou ter um trabalho respeitado, coisa e tal? Foi exatamente o que fez Diógenes.

Para nós, meros vermes ditados pelos paradigmas ocidentais é muito fácil perguntar “por que eu faria isto?”. Isto porque somos compulsoriamente convencidos de que o único padrão de felicidade só pode ser concebido através do sucesso alcançado no competitivo sistema capitalista. Mas o fato é que pouquíssimos o alcançam, menos de 1% da população eu acho tem uma vida plena de amor em família, conforto financeiro e satisfação com o trabalho. Por que na realidade reunir tudo isso é muito difícil. Então temos que 99% da civilização ocidental tem algum nível de frustração que pode ir de um grau leve à um grau elevado. E por aí Freud pode decorrer muito melhor que eu.

Então se refletirmos sobre o cinismos podemos vislumbrar um grau de frustração menor simplesmente por ter ambições menores (na verdade o que se busca é a completa autossuficiência). Menor frustração é igual a maior grau de felicidade. Ou seja, almejar pouco para ter pouco o que perder. Algo assim. Posso me imaginar um ser até mais livre.

Bom, mas o que eu realmente gostaria de falar era deste cara cuja maior parte do que se sabe sobre sua vida é contada por anedotas reunidas naquele tempo. Por acreditar que a virtude era melhor revelada na ação e não na teoria, sua vida consistiu duma campanha incansável para desbancar as instituições e valores sociais do que ele via como uma sociedade corrupta (alguma afinidade?). Daí então Tornou-se um mendigo que habitava as ruas de Atenas. Diz-se que teria vivido num grande barril no lugar de uma casa (É! Tipo o Chaves), e perambulava pelas ruas carregando uma lamparina, durante o dia, alegando estar procurando por um homem honesto. O que a lanterna de Diógenes procurava? Alguém que carregasse consigo o ideal cínico da autossuficiência: uma vida que fosse natural e não dependesse das luxúrias da civilização.

Existem outras loucuras sobre este camarada excêntrico que postarei em outras ocasiões. Merece. Mas a conclusão de hoje é que, radicalismos a parte, podem existir categorias de mendigos e que podemos sim viver com menos, mais frugalmente. Esta se tornou minha filosofia, tornará-se-a meu modo de vida.

“as vezes eu acho que todo preto como eu/ só qué um terreno no mato só seu/ sem luxo, descalço, nadar no riacho/ sem fome, pegando as fruta no cacho/ aí truta, é o que eu acho, quero também, mas em São Paulo, Deus é uma nota de cem.” (Brown, Mano, Racionais MC’s – Vida Loka pt 2)

Em breve minhas idéias sobre como pretendo colocar meus ideais cínicos em prática.

“Os piores escravos são aqueles q estão constantemente servindo as paixões.”

Diógenes

Deus em questão (pt1)

Eu acredito, e imagino que alguém mais influente já se atreveu a especular sobre o tema, que o estado depressivo é algo inerente ao homem moderno. Considerando a felicidade a antítese da depressão, pode a crença em Deus influenciar estes estados de espirito? Ou seja, a minha crença ou não em algo que pode redimir todas as mazelas da humanidade afeta como enxergo o mundo e passo meus dias?

Estas e outras questões serão tratadas em um excepcional documentário que tive a sorte de encontrar na internet intitulado “Deus em Questão – Sigmund Freud x C.S Lewis”, documentário dividido em 4 partes cujo compartilharei semanalmente aqui para discutirmos (pretendo).

Lembrando aos leitores que este não é um blog ateísta ou outras correntes religiosas.

Reflitam