“Paranoid” – Um raro momento de lucidez lírica em Black Sabbath

Não estou aqui querendo fazer uma crítica à uma banda que, aliás, marcou meu melhores momentos de rebeldia. A banda, enquanto conjunto, é uma das melhores na playlist da minha existência e é inegável o fascínio que me causa o peso do som, underground, sombrio.

Fato é que, as letras nunca foram o forte do Black Sabbath. Soa meio forçadamente diabólico. A personalidade meio “sequelada” de Ozzy destoa da competência musical dos outros componentes. O contrabaixo marcado e pesado de Butler, a bateria hipnoticamente espancando os pratos de Bill Ward, e os clássicos rifes da guitarra de Tony Iommi em nada combinavam com o talento lírico de nosso vocalista (não discuto aqui seu talento enquanto vocalista, mas sim como letrista), que compunha coisas que mais parecem tiradas de um diálogo do Toninho do Diabo.

Bom… mas toda regra tem sua exceção: Na música Paranoid, Ozzy é simples, fala de seus sentimentos mais amargurados. Ozzy era um jovem amargurado, por isso, quando se propôs a falar disso de maneira descompromissada com o mal fez um ótimo trabalho. Tudo bem que isto foi até onde sua personalidade metaleira lhe permitiu. Aliás, não há no mundo ser mais fracassado e bobão que o metaleiro. Eu mesmo já fui um e posso dizer isto de camarote. Voltando as vacas frias, Paranoid é uma música que retrata de forma, mais ou menos superficial, uma alma vazia, sem esperança, sem nada. Camus dizia algo parecido com isso: Triste é quando alguém lhe pergunta “O que você tem?”, e você responde “Nada”, mas o pior mesmo é quando esta resposta é totalmente franca.

Isso não é coisa de metaleiro, mas vamos analisar alguns trechos

“Finished with my woman cuase she coldn’t help me with my mind”

Normal, homens e mulheres procuram preencher seus vazios no sexo oposto, melhor, no sexo (vai que não seja oposto).

“People think I’m insane because I’m frownig all the time”

Poisé. Minha mãe também pensa que meu caso é de psiquiatria. Minha avó, de exorcismo.

“All day long I think of things but nothing seems to satisfy
Think I’ll lose my mind if I don’t find something to pacify

Can you help me? Occupy my brain?”

Para um suicida em potencial, não encontrar algo pra acalmar pode tornar a expressão “perder a cabeça” (lose my mind) algo mais literal.

Uma pílula amarela ou LSD, cogumelo, ou mesmo uma trepadinha poderia ajudar a ocupar a mente. Nada mais que isso.

“I need someone to show me the things in life that I can’t find
I can’t see the things that make true happiness, I must be blind”

Não meu caro, você não está sozinho. Assim caminha a humanidade. Menos ainda estás cego, ao contrário, parece enxergar melhor que a maioria do ocidente.

“Make a joke and I will sigh and you will laugh and I will cry
Happiness I cannot feel like love to me is so unreal”

Imaginar a cena do primeiro verso me fez rir. Agora, amor? Felicidade? Isso é coisa de novela. E há muito parei de assistir.

“And so as you hear these words telling you now of my state
I tell you to enjoy life I wish I could but it’s too late”

Chave de ouro. Perfeito. Só posso concordar. Talvez as palavras mais lúcidas de Mr. Osbourne.

Abaixo segue o vídeo com legenda em português para os aficionados monolíngue.

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Hoje eu acordei meio Nietzsche

German philosopher Friedrich Nietzsche posing ...

German philosopher Friedrich Nietzsche posing at the time of his writing ‘Also sprach Zarathustra’. Español: Retrato del filósofo alemán Friedrich Nietzsche, alrededor del tiempo en que escibió su obra ‘Así habló Zaratustra’. (Photo credit: Wikipedia)

Sabe quando a gente acorda naqueles dias? Não, porra! Eu não menstruo, tá me estranhando? To falando de quando você desperta naquelas manhã em que pensa quanto gostaria de ter acordado duro e gelado? Eu sei. Até eu acho isso meio forte, mas é frequente. Talvez eu tenha mesmo problemas? Ainda acho que não. Alguém sabe do que estou falando? Bom… fodas! Hoje eu acordei meio Nietzsche (num tem uma parada assim no facebook?). Então se não absorveu ainda o estado de espírito, veja o documentário da BBC – Humano, demasiado humano. Aí abaixo.

Como sou metido a besta, vou tentar resenhar. Vou pular a introdução e os dados técnicos acerca do documentário (vide rodapé youtube). Direto ás análises filosóficas, vamos separar alguns temas.

“Toda verdade na fé é infalível. Ela cumpre o que o crente espera encontrar nela. Porém, não oferece a mínima base para estabelecer uma verdade objetiva. Aqui, os caminhos dos homens se dividem. Se queres alcançar a paz e a felicidade, então crês. Se queres ser um discípulo da verdade, então busca.” (Carta à irmã Elizabeth)

Talvez o mais importante, a crise da fé, a revelação das dores do mundo moderno. Creio que a partir da revolução que Darwin trouxe em sua teoria, o homem pensante, o “homem absurdo” (Camus, Albert) se põe diante do maior dilema de sua vida: Manter Deus vivo em seu coraçãozinho, ou, matar a Deus e viver com a culpa e o vazio do mundo alógico, absurdo, demasiadamente humano sem Ele. Este embaraço, matar ou não, imagine a cena, ponha-se no lugar de pilatos. Está em suas mãos. Lavá-las ou não? Puxa o gatilho na nuca do Cristo (os romanos foram mais brutais em suas técnicas de execução) ou faz como “o primeiro vida loka da história, […](que) aos 45 do 2º, arrependido/salvo e perdoado. É, Dimas, o bandido”? Em certo trecho o documentário chega a questionar até que ponto, para Nietzsche, determinar a morte do divino o condenou a própria loucura, tamanha a dor que se impõe por isso.

A verdade de Sileno:  “A melhor coisa é não ter nascido. A segunda melhor é morrer logo.” (O Nascimento da Tragédia)

Sinto que não tive uma juventude dura como a de Nietzsche, o que talvez lhe servisse de prerrogativa para sentimentos que  nos são comuns, mas agora parece claro. Ele foi uma criança feliz, depois só desgraça. Garoto míope, se desenvolveu em um tipo esquisitão. Lutou na guerra como médico, onde pegou altas doenças. Parecia buscar algum alento para prosseguir em “Vontade de Poder” (o que me soa mais como “querer não é poder”). Nesta tentativa, buscava superar-se através do autoconhecimento, como terapia, meio que antecedendo algo que Freud se aprofundaria mais tarde. Vislumbrou em Zaratustra algo que hippies e punks pretenderam falidamente apoiar 100 anos depois: abandonar o sistema e viver na montanha.

No meu caso, o papel de Caifás vestiria melhor que a de Pilatos. Minha relação com o divino, antes mesmo de Darwin, já seria problemática por um simples motivo: incompatibilidade de filosofias. Ora, Cristo veio para salvar a humanidade. Eu, quero que ela se exploda. Vou mais longe, eu diria que se nossas filosofias, mais que incompatíveis são opostas, então, por coerência, além de romper com o cristianismo deveria também tornar-me anti-cristo. Mas uma coisa me difere. Minha vontade de poder ser Zaratustra me parece palpável ainda.

“The Walking Dead”. Muito além do massacre de zumbis.

American comic book artist Tony Moore (left) a...The Walking Dead é uma série apocalíptica de HQ que surgiu em 2003 criada por Robert Kirkman e o desenhista Tony Moore nos Estados Unidos. Para quem ainda não conhece vale a pena. A série se popularizou e virou uma muito bem sucedida produção roliudiana em vários aspectos, com destaque aos efeitos especiais e de maquiagem e a fidelidade dada ao excelente enredo original dos quadrinhos.  Aqui em terras tupiniquins ela começou a ser recentemente distribuída pela FOX, dividida em 4 temporadas, das quais nós, aficionados, já desfrutamos duas. Enfim, resumindo para que desperte mais interesse àqueles que estão boiando:

O protagonista (xerife de uma pequena cidade) acorda de um coma e se depara com o hospital e a cidade vazia. Ele descobre que um surto – sabe-se lá do quê –infectou quase toda a população e as pessoas que morreram viraram zumbis, restando apenas poucos sobreviventes agora. Sem energia e sem telecomunicações o mundo vira um caos e qualquer barulho pode atrair uma população de zumbis que arrancam suas tripas a luz do dia. Em um dos episódios ele consegue encontrar sua família (mulher e filho) que estão junto de um grupo de pessoas buscando o apoio mútuo como fator de sobrevivência.

Os sobreviventes habitam agora o cenário depois do apocalipse, e que parece bem pior do que o juízo final cristão. Aliás, tal lugar é a inversão dos sonhos revolucionários. O “novo” é bem pior do que o antigo. A Nova Jerusalém dos cristãos (ou o comunismo) passa mais próxima da descrição do Inferno de Dante. Mas nem tudo mudou. A sociedade ainda tem classes. E são duas: os vivos e os mortos-vivos. Os vivos são a minoria nada privilegiada agora, mas a guerra (a luta de classes) continua. viaTempos Safados: The Walking Dead: uma perspectiva da vida após o fim do mundo.

Mas a discussão acerca de The Walking Dead vai muito além dos personagens marcantes, crânios dilacerados, tripas, moscas, restos se arrastando com fome de carne viva, um apocalipse digno da imaginação de renomados “viajantes”, tais como Bosh, Da Vinci, Calígula, Nero, Aleijadinho e outros perturbados (no bom sentido). Façamos uma analogia entre a ficção e a nossa “realidade”. A partir daqui estas duas se confundirão.

Quem são aqueles que por algum motivo permanecem sãos, tentando formar pequenos grupos, mandando bala pra baixo contra as falange do mal? E quem são os zumbis que, de forma absolutamente instintiva, se engalfinham por um pouco daquilo que é seu, um pouco de você?

Os zumbis são a grande massa, são mortos-vivos alienados. Não agem coletivamente, ao contrário, é cada um por si, devorando o que podem. Entre a minoria saudável existem aqueles que por um motivo ou outro está sozinho, tentando nadar contra a corrente. Alguns se unem pra tentar sobreviver, mas até entre eles há divisão. Claro, tirando a massa de alienados, cada humano inteligente é único, discordâncias causam conflitos. Por isso alguns poucos preferem continuar sozinho. Me sinto um deles.

O mundo da minoria sã é duríssimo, por vezes é o próprio inferno. A esperança é pouca para alguns e nenhuma para outros. Certos sobreviventes se fingem de zumbi e se misturam a eles, imitando-os, fazendo o que fazem, inclusive se cobrindo de vísceras para esconder que são humanos. Esta estratégia é muito utilizada, me consenti dela até pouco tempo. No momento estou procurando um lugar seguro para fugir dos mortos, mas se não encontrar, talvez me torne um deles de vez.

Na minha opinião, o dilema mais interessante da série paira sobre este ponto. Se você é um sobrevivente vai entender e se perguntar onde se encaixa neste paralelo entre trama e vida real.

1) Humano saudável vestido de zumbi. Age como eles e chafurda na carne podre, porém continua vivendo sem grandes questionamentos sobre a validade de fazê-lo. Por isso é um infeliz, mas vai se casar sem conhecer o amor e ter um emprego que pague as contas. Ah sim! E rezar pra que melhore.

The Christopher Walken Dead2) Sobrevivente Afiliado. Você não quer parecer zumbi e é foda viver sozinho neste mundo. Mas encontrou outros que pensam parecido e juntos se oferecem alguma segurança na hora de destruir algumas cabeças de zumbi. De vez em quando um te salva, você salva alguém, uns são mais fortes, outros mais inseguros. Então surgem conflitos, conveniências, coisa e tal e, de repente, se depara com alternativas. a)persiste em viver o inferno como um sobrevivente solitário; b) volta a imitar zumbi; c) desiste por aqui e se mata antes de ser estripado vivo.

Representantes dos solitários

 

3) Sobrevivente solitário. Por vezes o mais fraco entre os outros grupos, mas o mais poderoso quando se poe diante da necessidade de prosseguir. Quanto mais sobrevive sozinho, mais forte se torna. Para este existem duas opções. Vai depender da corrente que  assumir na jornada: a) Os Crentes. Estes vai pagar pra ver com alguma esperança em uma redenção. b) Os Descrentes. Estes podem de teimosia pagar pra ver sem garantia nenhuma do que vem depois, ou, acelerar o processo e cair fora deste mundo.

Moral da história é que no fundo, o que todos os grupos procuram é um lugar seguro. Mas a ironia é… se todos os sobreviventes forem para este lugar seguro, então, não mais existirá lugar seguro.

A série aborda vários temas como suicídio, Deus, o homem, e outras de maneira muito séria, inteligente e pertinente. Na verdade, pela ótima trama, o lance todo de zumbi só serve como plano de fundo para discussões diversas , aliás, um plano de fundo que só faz acrescentar elogios à The Walking Dead pelos efeitos especiais e maquiagem dos figurantes (zumbis) de primeira linha. As cenas são muito chocantes pela produção bem feita e pela horripilância dos fatos, principalmente baseados na podridão da carne morta e do manejo de cadáveres (atenção carnívoros, na minha opinião isto se aplica aos animais).

Por enquanto só o trailler da série em vídeo, talvez depois eu coloque episódios completos que tenho aqui.

Apelando para o CVV. A primeira vez a gente nunca esquece.

Navegando por esta rede imensa, me deparei com o seguinte texto. Muito legal! Há muito já tinha a vontade de iniciar uma relação com o CVV e compartilho agora minha primeira vez. Confesso que não achei nada produtivo, mas que quiser tentar é só acessar: http://www.cvv.org.br/ Coloquei numa categoria separada pois pretendo dar seguimento a esta relação.

O suicida, o louco no supermercado e um poema repetido.

de http://niikwon.blogspot.com.br

– CVV. Centro de Valorização da Vida. Em que posso ajudá-lo?
– Não sei. Nem sou suicida. Nem sei por que coloquei o revolver na cama. Eu liguei…, eu liguei…, porque queria fazer o curso do CVV.
– Às três da manhã?
– Não é que…, é… to triste pra caralho, aí lembrei do CVV. Acho que isso é quase um trote. (Se eu fosse você, eu diria…).
– Pelo que entendi você está, às três da manhã, com um revolver na cama, passando um trote para o CVV?

Mas não dará tempo.

Wellington Cruvinel
Enviado por Wellington Cruvinel em 05/01/2011
Código do texto: T2710703

Agora vamos ao fatídigo diálogo da noite:

Octávio CVV CVV Boa noite.

pilulamarela: oi, boa noite. eh minha primeira vez aqui. não sei bem por onde começar

Octávio CVV Fique à vontade. Estamos aqui para te ouvir.

pilulamarela: é q tenho uma visão vazia da vida. as vezes fico tentando ver razoes pra prosseguir vivendo

Octávio CVV Digamos que não consegue ver o sentido da própria vida.

pilulamarela: sim, talvez você possa me ajudar a ter uma boa razão ao menos. está disposto?

Octávio CVV Sim, vamos lá…vamos conversar.

pilulamarela: já passou por isso?

Octávio CVV Bom….todos temos nossos altos e baixos, o que você acha?

pilulamarela: sinto q meus altos já passaram, o auge, daqui pra frente é um futuro meio melancólico

Octávio CVV Certo…. tem alguma coisa te incomodando, quer me contar?

pilulamarela: nada em especial, digo… nenhuma decepção amorosa, culpa ou coisa assim. bem… como se o sentido da vida não fosse algo especial, mais que isso, essencial.

Octávio CVV Sei…nada de concreto. Mas este vazio está latente.

pilulamarela: sim, é algo concreto sim, filosófico diria, a ponto de pensar em suicídio quase diariamente, alias, já o planejei como plano B.

Octávio CVV Então esta falta de sentido, de ânimo tem levado você a querer acabar com sua vida?

pilulamarela: sim, penso nisso de maneira filosófica, não neurótica. tem sido forte.

Octávio CVV Como é para você notar esse desejo de suicídio aumentar?

pilulamarela: é estranho talvez por um instinto de preservação da vida e uma cultura negativa sobre o tema, mas me parece algo racional frente a desesperança

Octávio CVV Ou seja, por um lado você acredita ser o suicídio a melhor alternativa.

pilulamarela: uma alternativa bastante aceitável no meu caso. É bem pessoal. você… consegue me convencer q viver e a melhor alternativa?

Octávio CVV Entendo que a ideia de suicídio cresça em você à medida que não vê motivação para viver, aliado ao fato de vê-lo como uma saída possível.

pilulamarela: hehehe está me apoiando na ideia? rs. interessante

Octávio CVV Você conclui de nossa conversa que o estou apoiando? Estamos aqui para te ouvir. Esse é o nosso trabalho.

pilulamarela: vocês não tentam convencer q viver é melhor?

Octávio CVV E você acha que deveríamos? O que realmente acha que quer?

pilulamarela: acho q não deveriam. você ta certo

Octávio CVV Para nós do CVV, o importante é e sempre será o que você acha, o que você nos tem a dizer.

pilulamarela: isso não é uma critica, só quero entender melhor… ouvindo, qual é o objetivo? É um lance de psicanálise?

Octávio CVV Veja bem, estamos aqui ao seu lado, sempre que nos procurar, independente do que tiver para falar. Aqui você não será julgado.

pilulamarela: mas em que você acha q isso ajuda um suicida em potencial?

Octávio CVV Eu é que lhe pergunto. Acha que estamos te ajudando? Creio poder responder melhor que nós.

pilulamarela não. pois me ouvindo não me convenceu de que viver é melhor que morrer

Octávio CVV Ah, certo…compreendi sua opinião. Entrou aqui com o objetivo de que alguém lhe fizesse desistir do suicídio?

pilulamarela: na verdade não. mas esperava sim ouvir argumentos contrários ao suicídio. me enganei em entrar aqui?

Octávio CVV Você sempre será bem vindo, pode ter certeza! Nós o valorizaremos sempre.

pilulamarela: tudo bem que aí fora ninguém está preocupado em ouvir… mas não me sinto mais valorizado por você estar aí me fazendo isso, afinal, você pode muito bem estar me achando um lunático, chato de galocha

Octávio CVV Entrar aqui e não ter ouvido o que queria, não se sentir mais valorizado, te decepciona?

pilulamarela: não me sentir valorizado me decepciona muito. A você não? não ser valorizado é um dos motivos de muitos não se encaixarem neste mundo

Octávio CVV Não se sentir valorizado pelos outros, você quer dizer? Ou por si próprio?

pilulamarela: pelos outros, mas não os culpo. eu realmente sou bem inútil. admito minha derrota. e isso até me fortalece. pior é ser um looser iludido

Octávio CVV Então embora sinta que as pessoas não lhe dão importância, pelo que me conta você mesmo não se acha importante, é isso?

pilulamarela: sim. poucas pessoas são importantes. a grande maioria só faz peso na Terra, inclusive eu. to tentando mudar. rs

Octávio CVV Certo… Está tentando mudar?

pilulamarela: É. Ser um inútil diferente,menos nocivo, ao estilo dos cínicos. Saca cinismo, Diógenes, etc?

Octávio CVV Então está tentando mudar…a situação não lhe agrada e quer lutar?

pilulamarela: aí é q está. não sei se quero lutar. voltamos a estaca zero, rs. vale a pena lutar? eu te pergunto;

Octávio CVV você acha que vale?

pilulamarela: perguntei primeiro

Octávio CVV Aqui é o seu espaço. Percebo que busca muito minha opinião. O que pretende?

pilulamarela: mas o que realmente importa pra mim agora é saber se o que eu acho faz sentido pra alguém, eu já falo muito sozinho

Octávio CVV Busca respostas para o sentido da vida, não?

pilulamarela: sim. tá sabendo de algo que eu não sei? conta aí.

Octávio CVV Respondendo ao seu anseio de saber se o que você acha faz sentido para alguém: aqui no CVV você sempre fará sentido para nós, sempre será importante. Afinal é por isso que estamos aqui.

pilulamarela: veja se isso faz sentido: “De que adianta plantar bigorna segunda a noite, se quarta-feira rinocerontes passam pra dançar tango na sala sem pé nem cabeça”

Octávio CVV O que esta frase representa para você?

pilulamarela: não vejo sentido algum nela. Você vê?

Octávio CVV Parece que não há.

pilulamarela: a ha!!!! você disse: “aqui no CVV você sempre fará sentido para nós. Afinal é por isso que estamos aqui.” tá gravado, rs

Octávio CVV rs. Tenho certeza que entendeu o que disse.

pilulamarela: hahaha acho q tá bom né? posso voltar?

Octávio CVV Claro, sempre! Olha, foi um prazer falar com você. Sinceramente. Volte sempre que quiser. Torço por você.

pilulamarela: Ainda penso em me matar, mas não vai ser por agora. eu passo para avisar

Octávio CVV Certo…como já disse nós estaremos aqui para lhe ouvir.

pilulamarela: t+

Octávio CVV Até! Tenha uma ótima noite! Um grande abraço e até breve!

 

Gostei do “até breve!” em sua despedida. Oras… Conscientemente ou não (claro que sim), Octávio sabe que a alma moribunda do suicida irá voltar a contar com este cidadão praticamente anônimo.  Não porque a morte é uma mulher sedutora, madura, redentora, mas porque é assustadoramente enigmática. Em sua sabedoria, o ouvinte do outro lado do chat não queria, nem poderia me dar uma resposta que nem ele, nem eu em minha tentativa vil de fazer humor poderíamos responder àquela ora sobre os mistérios da (auto) pena capital.

Contudo, não acredito que o CVV seja o lugar do suicida racional. Talvez o dos mais histéricos, não o meu.

A ( )vida; ( )morte é bela! (pt1)

Inevitável! Quando alguém morre sempre rola aquele consolo “Tsc… Poisé. Foi dessa para uma melhor”. Mas quem realmente acredita nisso? Mais uma vez dependerá da nossa filosofia de vida.

Para discutirmos se morrer é estar melhor duas hipóteses devem ser abordadas. As primordiais, creio eu, são: 1) há vida após a morte? 2) Não havendo, viver vale o fardo? Em outras palavras, a morte liberta?

Partindo da primeira hipótese, vejamos então a visão de morte segundo algumas filosofias. (fonte: Cemitério Ecumênico João XXIII – Content )

Budismo – Para os budistas, a morte é a única certeza. “Se nos lembrarmos da inevitabilidade da morte, geraremos o desejo de usar nossa preciosa vida humana de modo significativo”, diz Ani-la Kelsang Pälsang, do Centro Budista Mahabodhi. Acreditam na reencarnação. “A única coisa que passa de uma vida para outra é nossa mente sutil. Como um pássaro mudando de ninho em ninho. Buda compara o processo de morrer e renascer com o ciclo de dormir, sonhar e despertar”, diz Ani-la. Toda ação em vida influencia decisivamente na vida futura. Desapegados das coisas materiais, não se preocupam muito com o cadáver, portanto não são contra cremação.

(Que tédio!)

Candomblé – Os seguidores do candomblé acreditam na continuidade da vida por meio da
continuação da força vital. O ORI volta dentro da mesma família, mas em outro corpo. O corpo do iniciado no candomblé geralmente é velado no terreiro. O rito funerário, chamado de axexe, começa depois do enterro e costuma ser longo, podendo durar vários dias. A sociedade é chamada para participar do axexe, rito pelo qual o espírito do morto é encaminhado para outra terra. Na ocasião, os assentamentos -elementos simbólicos e materiais- são quebrados e jogados em água corrente.

(Entendi que tu vira uma espécie de fantasma. Parece mais interessante. Precisamos mais detalhes.)

Catolicismo – Os seguidores do catolicismo acreditam que a morte é o batismo definitivo, o caminho para a vida eterna. Para eles, corpo e alma são uma só coisa. A reencarnação não é aceita.

(No céu, com um tanto de santo te vigiando, rotina celeste, nem deve ter parede no banheiro. Sei não)

Espiritismo – Para os seguidores do espiritismo, a morte não existe. O espírito usa o corpo físico como instrumento para se aprimorar. “O corpo é uma veste e a reencarnação serve para o espírito evoluir”, diz Ana Gaspar, das Casas André Luiz. Quando o corpo morre, o espírito se desliga e fica no mundo espiritual estudando e se preparando para uma nova encarnação. Com a reencarnação, o espírito adquire experiências e evolui em outro corpo sucessivamente.

(Téééédio!)

Islamismo – A morte é uma passagem desta vida para outra eterna. “Quem fizer o bem será julgado por Deus e vai para o paraíso. Quem fizer o mal também será julgado e irá para o inferno”, diz Abdul Nasser, secretário-geral da Liga Juventude Islâmica do Brasil. O corpo após a morte não significa mais nada, mas a alma continua tendo valor. A morte se dá, portanto, quando o corpo se separa da alma.

(Parecido com o catolicismo. Só imagino um céu mais machista e com mais mulheres de burca disponíveis. Com a “vantagem” de que ainda reza a lenda das virgens para os suicidas de Allah.)

Judaísmo – A morte não é o final da vida, apenas o fim do corpo, da matéria. “A verdadeira pessoa, que é a alma, é eterna”, diz o rabino Avraham Zajac. Os seguidores das leis judaicas acreditam na existência de outro mundo, para onde as almas vão, chamado de olam habá (mundo vindouro). No entanto, a alma pode voltar para a terra, num outro corpo, para completar sua missão (reencarnação).

(Ou seja, ou é o céu dos rabinos ou volta pra penar denovo. Cruel!)

Protestantismo – Os protestante acreditam que a morte é apenas uma passagem para outra vida e não aceitam a reencarnação. Para os protestantes, existe o céu e o inferno. O julgamento ocorre não pelas ações da pessoa em vida, mas pela fé que ela teve na palavra de Deus e pelo amor ao Senhor.

(Irmão, acreditou em Deus, pagou o dízimo, o resto vale tudo. Imagina como deve ser esse céu? Uma mistura de Rio de Janeiro com Brasília e Sodoma com Jerusalém. Tá danado!)

Agnósticos e ateus – Aqui dispenso meus próprios parenteses por falar por mim mesmo. De maneira simples acho que existe um consenso entre as correntes de que o que o conhecimento pode nos responder é que, morreu, cabô! Mas há espaço para outras teorias.

É claro que, respeitador da morte que sou, enquanto entidade e personificação do fim que ela é, pretendo nas linhas que seguirão nos próximos posts, expor melhor a hipótese 2 do início da discussão, de maneira ao mesmo tempo poética e amarga, imparcial e realista.

Viver vale a pena? A morte liberta?

Obs¹ Os parenteses em itálico são de pilulamarela

Obs² Este post continua no próximo capítulo

Obs³ Pra finalizar, tradicionalmente, vou colocar um vídeo. Desta vez, já que falamos em orixá, vou colocar um de Omulu. Seja transe, seja outra coisa, é maneiro o tamborzão.