“Paranoid” – Um raro momento de lucidez lírica em Black Sabbath

Não estou aqui querendo fazer uma crítica à uma banda que, aliás, marcou meu melhores momentos de rebeldia. A banda, enquanto conjunto, é uma das melhores na playlist da minha existência e é inegável o fascínio que me causa o peso do som, underground, sombrio.

Fato é que, as letras nunca foram o forte do Black Sabbath. Soa meio forçadamente diabólico. A personalidade meio “sequelada” de Ozzy destoa da competência musical dos outros componentes. O contrabaixo marcado e pesado de Butler, a bateria hipnoticamente espancando os pratos de Bill Ward, e os clássicos rifes da guitarra de Tony Iommi em nada combinavam com o talento lírico de nosso vocalista (não discuto aqui seu talento enquanto vocalista, mas sim como letrista), que compunha coisas que mais parecem tiradas de um diálogo do Toninho do Diabo.

Bom… mas toda regra tem sua exceção: Na música Paranoid, Ozzy é simples, fala de seus sentimentos mais amargurados. Ozzy era um jovem amargurado, por isso, quando se propôs a falar disso de maneira descompromissada com o mal fez um ótimo trabalho. Tudo bem que isto foi até onde sua personalidade metaleira lhe permitiu. Aliás, não há no mundo ser mais fracassado e bobão que o metaleiro. Eu mesmo já fui um e posso dizer isto de camarote. Voltando as vacas frias, Paranoid é uma música que retrata de forma, mais ou menos superficial, uma alma vazia, sem esperança, sem nada. Camus dizia algo parecido com isso: Triste é quando alguém lhe pergunta “O que você tem?”, e você responde “Nada”, mas o pior mesmo é quando esta resposta é totalmente franca.

Isso não é coisa de metaleiro, mas vamos analisar alguns trechos

“Finished with my woman cuase she coldn’t help me with my mind”

Normal, homens e mulheres procuram preencher seus vazios no sexo oposto, melhor, no sexo (vai que não seja oposto).

“People think I’m insane because I’m frownig all the time”

Poisé. Minha mãe também pensa que meu caso é de psiquiatria. Minha avó, de exorcismo.

“All day long I think of things but nothing seems to satisfy
Think I’ll lose my mind if I don’t find something to pacify

Can you help me? Occupy my brain?”

Para um suicida em potencial, não encontrar algo pra acalmar pode tornar a expressão “perder a cabeça” (lose my mind) algo mais literal.

Uma pílula amarela ou LSD, cogumelo, ou mesmo uma trepadinha poderia ajudar a ocupar a mente. Nada mais que isso.

“I need someone to show me the things in life that I can’t find
I can’t see the things that make true happiness, I must be blind”

Não meu caro, você não está sozinho. Assim caminha a humanidade. Menos ainda estás cego, ao contrário, parece enxergar melhor que a maioria do ocidente.

“Make a joke and I will sigh and you will laugh and I will cry
Happiness I cannot feel like love to me is so unreal”

Imaginar a cena do primeiro verso me fez rir. Agora, amor? Felicidade? Isso é coisa de novela. E há muito parei de assistir.

“And so as you hear these words telling you now of my state
I tell you to enjoy life I wish I could but it’s too late”

Chave de ouro. Perfeito. Só posso concordar. Talvez as palavras mais lúcidas de Mr. Osbourne.

Abaixo segue o vídeo com legenda em português para os aficionados monolíngue.

Projeto Inteligente. Uma tentativa de ressuscitar a Deus?

“É como confessar um assassinato, mas preciso acreditar que as espécies podem evoluir” (Darwin, Charles – Carta a um amigo)

Haveria Darwin, após o lançamento de “A origem das espécies”, mesmo que culposamente, condenado Deus à morte? Suas descobertas pareciam desafiar a Ele. Muitos filósofos e pensadores dos próximos séculos acreditam que sim. Então, Darwin, se refugiando na solidão de um ideal transcendental, porém essencialmente particular, guarda pra si aquilo que ele tem de melhor (alguém se identifica?). Com a morte de sua filha querida ele se deu conta de que não havia ressurreição e marca sua descrença num universo justo e ético. A partir daí, retoma a coragem de retomar a unica coisa que lhe restava. E revolucionou a ciência moderna.

No entanto, muito se descobriu na ciência, especialmente falando da biologia molecular. E aí surgem outras possibilidades, outros pontos de vista. Sem falar na tal de física quântica que habita aquela parte marrom do diagrama contido em um antigo post. Pra falar a verdade esses físicos me convencem diariamente que somos tão insignificantes a ponto de eu não entender absolutamente nada do que eles falam. A mim parece que eles aplicam ópio na veia e ficam viajando numas paradas surreais. Ou irreais? Ou… caralho! Reais.

Que tal dialogarmos com as premissas deste outro ponto de vista. Veja o vídeo na sequencia (em série) em Seteantigos7 , ou clicando nas janelinhas ao fim de cada vídeo.

Mais uma da série CVV e eu

21:01 Carolina – Rio Preto.SP:
21:01 pilulamarela: boa noite
21:01 Carolina – Rio Preto.SP: Como está você?
21:02 pilulamarela: eu diria normal, mas hj acordei pior
21:02 Carolina – Rio Preto.SP: algo aconteceu que vc não acordou bem…
21:03 pilulamarela: eh rotineiro
21:03 Carolina – Rio Preto.SP: costuma acontecer…
21:04 pilulamarela: a primeira vez que me lemro eu devia ter uns 7 anos de idade
21:04 pilulamarela: ultimamente tem sido em um grau bem maior
21:05 Carolina – Rio Preto.SP: agora está pior do que quando era mais novo…
21:05 pilulamarela: nao precisa ter um motivo especial para eu acordar assim, simplesmente acordo
21:06 Carolina – Rio Preto.SP: acorda de mau humor mesmo que não encontre uma razão para isso…
21:06 pilulamarela: bem pior, descobri muitas verdades dps q amadureci
21:06 Carolina – Rio Preto.SP: algumas verdades foram surgindo durante sua vida…
21:07 pilulamarela: na verdade eu tenho razões,mas elas nao parecem justificaveis para a maioria
21:07 Carolina – Rio Preto.SP: mas para você são razões verdadeiras e importantes…
21:08 pilulamarela: certamente
21:08 Carolina – Rio Preto.SP: e que precisariam ser respeitadas pelas outras pessoas
21:09 Carolina – Rio Preto.SP: ja q o sentimento é seu…
21:09 pilulamarela: sim. e por uma questão de liberdade e respeito ao outro.
21:10 Carolina – Rio Preto.SP: vc diz q cada um tem o direito de ter suas próprias opiniões…
21:10 Carolina – Rio Preto.SP: Concordo
21:11 pilulamarela: e eu poderia por exemplo preferir simplesmente não existir
21:11 Carolina – Rio Preto.SP: sua opção poderia ser não estar por aqui…
21:12 pilulamarela: sim. pq não?
21:12 pilulamarela: não estar em lugar algum
21:12 Carolina – Rio Preto.SP: seria uma escolha sua…
21:13 pilulamarela: certo. e essa escolha está se tornando cada dia mais plausível
21:14 Carolina – Rio Preto.SP: vc pensa q de repente pode fazer esta escolha…
21:14 pilulamarela: claramente. fico planejando e reconsiderando sobre a questão constantemente.
21:15 pilulamarela: quero ter muita certeza da minha escolha
21:16 Carolina – Rio Preto.SP: tem uma ideia dominante mas que, na sua opinião, precisa ser bem analisada…
21:16 pilulamarela: exato
21:17 pilulamarela: mas certos dias, como hj, sinto muita coerencia em faze-lo
21:18 Carolina – Rio Preto.SP: às vezes vc chega a ter a certeza de que é isto que quer…
21:18 Carolina – Rio Preto.SP: e em outros dias reconsidera…
21:19 pilulamarela: sim
21:19 Carolina – Rio Preto.SP: e a dúvida persiste …
21:20 pilulamarela: aham
21:21 Carolina – Rio Preto.SP: e tudo isto faz com que o mau humor esteja sempre presente , neh?
21:22 pilulamarela: quase o dia inteiro
21:23 Carolina – Rio Preto.SP: Compreendo que seus pensamentos recorrentes causem isto…
21:24 pilulamarela: entao… tem algum conselho? oq vc faz para se mater de pé?
21:27 Carolina – Rio Preto.SP: Conselho não tenho … Cada um tem sua experiência de vida e me mantenho de pé vivenciando-as …
21:28 pilulamarela: em quem se inspira filosoficamente?
21:28 Carolina – Rio Preto.SP: No Universo
21:29 pilulamarela: digo… filosofia de vida… o universo é algo que nem compreendemos. vamos nos ater nas dores humanas.
21:29 Carolina – Rio Preto.SP: buscar tirar aprendizagens de todo acontecimento…
21:31 pilulamarela: Neste caso, qual foi seu maior apredizado? dê um exemplo
21:31 Carolina – Rio Preto.SP: Vc dizia que precisa encontrar algo que o mantenha de pé…
21:31 Carolina – Rio Preto.SP: Gostaria de falar sobre você…
21:32 Carolina – Rio Preto.SP: Disse que descobriu varias verdades … Podia falar sobre isto…
21:32 pilulamarela: Nada, minha vida é ruim pacas. Ninguem que saber dela, não tiro sus razões, tb não quero saber a deles.
21:33 pilulamarela: A morte de Deus foi algo marcante. A discoberta que seu universo funciona de forma alógica transformou meu ser.
21:34 Carolina – Rio Preto.SP: Esta foi uma verdade que o modificou
21:35 pilulamarela: nao te modificaria?
21:36 Carolina – Rio Preto.SP: não sei avaliar isto…
21:36 pilulamarela: deveria
21:36 pilulamarela: já pensou em um mundo sem Deus?
21:37 pilulamarela: Desde o século XVII vem sendo um hipótese q se confirma a cada dia.
21:38 Carolina – Rio Preto.SP: e com a qual vc concorda creio que através de estudos e considerações a respeito…
21:39 pilulamarela: claro. além de não notar nada divino ao meu redor.
21:39 Carolina – Rio Preto.SP: respeito seu ponto de vista…
21:40 pilulamarela: só isso?
21:40 Carolina – Rio Preto.SP: sim
21:40 pilulamarela: e agora?
21:40 Carolina – Rio Preto.SP: como assim?
21:41 pilulamarela: fim de papo?
21:41 Carolina – Rio Preto.SP: continuo aqui para continuar ouvindo suas opiniões …
21:42 pilulamarela: pra isso eu tenho um blog
21:42 pilulamarela: https://pilulamarela.wordpress.com/
21:42 pilulamarela: a filosofia do suicídio
21:44 Carolina – Rio Preto.SP: no seu blog coloca reflexões sobre a filosofia do suicidio
21:44 pilulamarela: sim
21:44 Carolina – Rio Preto.SP: pelo que viemos conversando é um assunto que o fascina…
21:46 pilulamarela: É… e nesse minuto vc tá afim de ir pra balada, encontrar alguem que te faz melhor e se perguntando… pq esse cara não puxa logo o gatilho?
21:46 pilulamarela: falei besteira?
21:47 Carolina – Rio Preto.SP: vc se pergunta se falou algo inadequado …
21:47 pilulamarela: sim, na frase anterior
21:48 Carolina – Rio Preto.SP: entendo que tem todo direito de fazer sua avaliação…
21:49 pilulamarela: vcs são muito frios. acreditam mesmo ajudar alguem com o gatilho na mão? não é isso que fazem os pscanalistas?
21:50 pilulamarela: o lance de vcs é psicanalise? responda por favor.
21:50 Carolina – Rio Preto.SP: Não temos nenhuma intenção de profissionalismo. Somos leigos neste assunto.
21:51 Carolina – Rio Preto.SP: A disponibilidade do CVV se refere a proporcionar uma oportunidade para alguém falar de seus sentimentos quando está só e vivenciando uma crise emocional…
21:52 Carolina – Rio Preto.SP: Exercitamos atitudes reais e verdadeiras como aceitação, compreensão ,respeito e confiança…
21:53 pilulamarela: TRaduzindo… psicanalise por leigos?
21:53 pilulamarela: Vc é estagiária de psciologia?
21:53 pilulamarela: aposto
21:54 Carolina – Rio Preto.SP: Não sou. Sou voluntária do CVV preparada através de curso de formação e com toda disposição de compreender e valorizar a vida de todo e qualquer ser humano…
21:55 pilulamarela: Alguem já puxou o gatilho numa conversa? Isto te fascina não é?
21:56 Carolina – Rio Preto.SP: Vc gostaria de saber as experiências que vivenciamos em atendimentos…
21:57 pilulamarela: sim sim… rola? É pra me ajudar.
21:57 Carolina – Rio Preto.SP: Uma das características do trabalho é o sigilo…
21:59 pilulamarela: Estes papos pelo CVV nunca são muito produtivos, exceto pelo q falo.
21:59 Carolina – Rio Preto.SP: Não lhe agrada a forma de atender dos voluntarios do CVV…
22:00 pilulamarela: nao sei. muito cheio de protocolo. creio que deveriam ser mais humanos
22:02 pilulamarela: muito podem ser idiotas comuns, mas muitos podem realmente estarem a ponto de fazer algo, e o que el busca na verdade é um motivo pra prosseguir. Aui vcs não o oferecem.
22:04 Carolina – Rio Preto.SP: acreditamos que o trabalho é valorizar a vida e fazer com que cada um que nos liga chegue a esta conclusão
22:06 pilulamarela: então tá meu bem
22:06 pilulamarela: boa noite
22:06 pilulamarela: obrigado por tentar
22:06 Carolina – Rio Preto.SP: Boa noite!
22:06 Carolina – Rio Preto.SP: Sempre que quiser estaremos disponiveis para “ouví-lo” !!!
22:07 pilulamarela: entendi
22:07 pilulamarela: Proximo!!!
22:07 Carolina – Rio Preto.SP: Um abraço fraterno

Hoje eu acordei meio Nietzsche

German philosopher Friedrich Nietzsche posing ...

German philosopher Friedrich Nietzsche posing at the time of his writing ‘Also sprach Zarathustra’. Español: Retrato del filósofo alemán Friedrich Nietzsche, alrededor del tiempo en que escibió su obra ‘Así habló Zaratustra’. (Photo credit: Wikipedia)

Sabe quando a gente acorda naqueles dias? Não, porra! Eu não menstruo, tá me estranhando? To falando de quando você desperta naquelas manhã em que pensa quanto gostaria de ter acordado duro e gelado? Eu sei. Até eu acho isso meio forte, mas é frequente. Talvez eu tenha mesmo problemas? Ainda acho que não. Alguém sabe do que estou falando? Bom… fodas! Hoje eu acordei meio Nietzsche (num tem uma parada assim no facebook?). Então se não absorveu ainda o estado de espírito, veja o documentário da BBC – Humano, demasiado humano. Aí abaixo.

Como sou metido a besta, vou tentar resenhar. Vou pular a introdução e os dados técnicos acerca do documentário (vide rodapé youtube). Direto ás análises filosóficas, vamos separar alguns temas.

“Toda verdade na fé é infalível. Ela cumpre o que o crente espera encontrar nela. Porém, não oferece a mínima base para estabelecer uma verdade objetiva. Aqui, os caminhos dos homens se dividem. Se queres alcançar a paz e a felicidade, então crês. Se queres ser um discípulo da verdade, então busca.” (Carta à irmã Elizabeth)

Talvez o mais importante, a crise da fé, a revelação das dores do mundo moderno. Creio que a partir da revolução que Darwin trouxe em sua teoria, o homem pensante, o “homem absurdo” (Camus, Albert) se põe diante do maior dilema de sua vida: Manter Deus vivo em seu coraçãozinho, ou, matar a Deus e viver com a culpa e o vazio do mundo alógico, absurdo, demasiadamente humano sem Ele. Este embaraço, matar ou não, imagine a cena, ponha-se no lugar de pilatos. Está em suas mãos. Lavá-las ou não? Puxa o gatilho na nuca do Cristo (os romanos foram mais brutais em suas técnicas de execução) ou faz como “o primeiro vida loka da história, […](que) aos 45 do 2º, arrependido/salvo e perdoado. É, Dimas, o bandido”? Em certo trecho o documentário chega a questionar até que ponto, para Nietzsche, determinar a morte do divino o condenou a própria loucura, tamanha a dor que se impõe por isso.

A verdade de Sileno:  “A melhor coisa é não ter nascido. A segunda melhor é morrer logo.” (O Nascimento da Tragédia)

Sinto que não tive uma juventude dura como a de Nietzsche, o que talvez lhe servisse de prerrogativa para sentimentos que  nos são comuns, mas agora parece claro. Ele foi uma criança feliz, depois só desgraça. Garoto míope, se desenvolveu em um tipo esquisitão. Lutou na guerra como médico, onde pegou altas doenças. Parecia buscar algum alento para prosseguir em “Vontade de Poder” (o que me soa mais como “querer não é poder”). Nesta tentativa, buscava superar-se através do autoconhecimento, como terapia, meio que antecedendo algo que Freud se aprofundaria mais tarde. Vislumbrou em Zaratustra algo que hippies e punks pretenderam falidamente apoiar 100 anos depois: abandonar o sistema e viver na montanha.

No meu caso, o papel de Caifás vestiria melhor que a de Pilatos. Minha relação com o divino, antes mesmo de Darwin, já seria problemática por um simples motivo: incompatibilidade de filosofias. Ora, Cristo veio para salvar a humanidade. Eu, quero que ela se exploda. Vou mais longe, eu diria que se nossas filosofias, mais que incompatíveis são opostas, então, por coerência, além de romper com o cristianismo deveria também tornar-me anti-cristo. Mas uma coisa me difere. Minha vontade de poder ser Zaratustra me parece palpável ainda.

Da Servidão Moderna – Jean-François Brient

Em homenagem ao DIA DO TRABALHADOR, o post de hoje é um ótimo documentário para nos lembrar de tudo que já sabemos e fazemos questão de esquecer todas as manhãs. Devemos esquecer para conseguirmos reunir forças de se erguer da cama, bater cartão. Se consideramos que devemos dormir ao menos 8h/dia, dedicamos 50% de toda nossa juventude-adulta à um trabalho que raramente orgulha à si ou à alguém. Levando-se ainda em conta que a grande massa de escravos, digo, trabalhadores estão nos centros urbanos, em países como o Brasil onde o investimento em mobilidade urbana é pífio, este número pode aumentar muito. Reconhecendo que o patrão não remunera o tempo que o trabalhador gasta no trajeto casa-trabalho, ou seja, quem paga é você, proletário, então alguns podem passar 70% ou mais de seus mais vívidos dias… trabalhando.

Assim, FELIZ DIA DO TRABALHADOR. Eu já me aposentei aos 30 anos por opção. Não serão fáceis meus próximos dias, paciência. Tem gente que se aposenta por invalidez, o resto trabalha por este mesmo motivo.

Indo ao que interessa, é sim um ótimo vídeo para nos motivar a fazer o que é certo, para aqueles que querem deixar de servir ao sistema mercantil totalitário. E eu não to falando de separar lixinho, apagar as luzes por uma hora no “Dia da Terra” etc e o caralho dessas eco-chatices inventadas todos os dias pra tapiar. A pior coisa do mundo é ser babaca.

Sobre o documentário, adianto seu caráter panfletário, “fanzinista”, ou panfleto-fanzinista, talvez até fanzine-panfletário. Mas divulgo pois merece. Afinal, melhor um panfletismo marxista ao panfletismo burguês, moldado pela fala mansa dos sindicatos dos tempos modernos, da escravidão institucionalizada. É tudo aquilo que eu quero falar só que com um texto muito melhor, com uma edição legal, enfim, mais perfumada. O que tem ali não é novidade nenhuma, não é revolucionário (reacionário talvez), por vezes clichê, mas é muito bom para ver de vez em quando e lembrar que ali estão as mais puras verdades. Aliás, o documentário é muito oportuno exatamente por isso, por se tratarem de coisas quase óbvias mas das quais temos a necessidade de negar todos os dias para ser capaz de prosseguir.

Uma coisa discordo quanto ao que dizem no documentário. Segundo o texto “Hoje já não existe exílio possível”. Mas creio que ele existe, sei onde está, o que devo fazer, me recolher ao exílio da solidão, o mais longe possível da influencia desta marcha escravizante. Vou me salvar. Fiquem bem. Atualizo o Blog.

Calma. Não vou me matar ainda, só vou pra Bahia.

Da Servidão Moderna – Jean-François Brient – YouTube.

Quer ser feliz no amor? Schopenhauer ajuda.

Quanto mais procuro idéias, mais me convenço de que o homem moderno, detentor de seu aparato técnico-científico, controlador de si e até mesmo conquistador de relativo domínio sobre a natureza, soberano de todas as espécies que habitam a Terra, este homem capaz de levar o bem-estar-social a todos os confins do planeta através de seu pensamento redentor (mais conhecido como neoliberalismo) é o mesmo que orienta sua noção de felicidade nos mais primitivos instintos animais. 15 mil anos depois, o homem ainda é o mais animal dos animais.

Há muito me dizem que o homo sapiens é o mais evoluído intelectualmente entre as outras espécies. Sobre isto tenho muitas dúvidas (ainda acho que baleias, golfinhos, elefantes e gatos o são). Mas conquistar a racionalidade para depois ignorá-la por completo em detrimento de instintos primitivos me fazem questionar essa pretensa superioridade.

Hoje a coisa é mais sinistra. Para muitos as interações com as diversas mídias podem potencializar nossa ignorância. O Bicho-Papão dos socialistas de outrora, o American Way of Life dos tempos de Ford, depois de se apaixonar, casar e ter filhos com a virtuosa Dama Revolução Tecno-científica (Geni) deram início à família globalização. Hoje eles se ocupam, entre outras coisas, de criarem desejos para nossas mentes sedentas de amor, nos aproximando ainda mais de nossos irmãos bovinos, não por devorá-los, mas por pastar e ruminar como tais.

Segue abaixo o link para um post muito interessante que encontrei nessa ferramenta internet (que não renego de maneira alguma. O alienado muitas vezes está do outro lado do vídeo, não na rede em geral) que contem 3 vídeos sobre uma visão mais racional do amor. Por posts assim que tento desesperadamente me aproximar de certos caras como Diógenes de Sinope, Camus, Schopenhauer… e menos do homo ocidentalis

Filosofia para o Dia-a-Dia: Schopenhauer e o Amor – Blog do Nicholas.

Estes posts, se analisados em conjunto, vão delineando uma certa filosofia de via que já começa a ser reconhecida. Por aí passa a filosofia do suicídio. Devemos discutir o outro lado da morte voluntária, alías, esta sim ato estritamente racional e humano.

“The Walking Dead”. Muito além do massacre de zumbis.

American comic book artist Tony Moore (left) a...The Walking Dead é uma série apocalíptica de HQ que surgiu em 2003 criada por Robert Kirkman e o desenhista Tony Moore nos Estados Unidos. Para quem ainda não conhece vale a pena. A série se popularizou e virou uma muito bem sucedida produção roliudiana em vários aspectos, com destaque aos efeitos especiais e de maquiagem e a fidelidade dada ao excelente enredo original dos quadrinhos.  Aqui em terras tupiniquins ela começou a ser recentemente distribuída pela FOX, dividida em 4 temporadas, das quais nós, aficionados, já desfrutamos duas. Enfim, resumindo para que desperte mais interesse àqueles que estão boiando:

O protagonista (xerife de uma pequena cidade) acorda de um coma e se depara com o hospital e a cidade vazia. Ele descobre que um surto – sabe-se lá do quê –infectou quase toda a população e as pessoas que morreram viraram zumbis, restando apenas poucos sobreviventes agora. Sem energia e sem telecomunicações o mundo vira um caos e qualquer barulho pode atrair uma população de zumbis que arrancam suas tripas a luz do dia. Em um dos episódios ele consegue encontrar sua família (mulher e filho) que estão junto de um grupo de pessoas buscando o apoio mútuo como fator de sobrevivência.

Os sobreviventes habitam agora o cenário depois do apocalipse, e que parece bem pior do que o juízo final cristão. Aliás, tal lugar é a inversão dos sonhos revolucionários. O “novo” é bem pior do que o antigo. A Nova Jerusalém dos cristãos (ou o comunismo) passa mais próxima da descrição do Inferno de Dante. Mas nem tudo mudou. A sociedade ainda tem classes. E são duas: os vivos e os mortos-vivos. Os vivos são a minoria nada privilegiada agora, mas a guerra (a luta de classes) continua. viaTempos Safados: The Walking Dead: uma perspectiva da vida após o fim do mundo.

Mas a discussão acerca de The Walking Dead vai muito além dos personagens marcantes, crânios dilacerados, tripas, moscas, restos se arrastando com fome de carne viva, um apocalipse digno da imaginação de renomados “viajantes”, tais como Bosh, Da Vinci, Calígula, Nero, Aleijadinho e outros perturbados (no bom sentido). Façamos uma analogia entre a ficção e a nossa “realidade”. A partir daqui estas duas se confundirão.

Quem são aqueles que por algum motivo permanecem sãos, tentando formar pequenos grupos, mandando bala pra baixo contra as falange do mal? E quem são os zumbis que, de forma absolutamente instintiva, se engalfinham por um pouco daquilo que é seu, um pouco de você?

Os zumbis são a grande massa, são mortos-vivos alienados. Não agem coletivamente, ao contrário, é cada um por si, devorando o que podem. Entre a minoria saudável existem aqueles que por um motivo ou outro está sozinho, tentando nadar contra a corrente. Alguns se unem pra tentar sobreviver, mas até entre eles há divisão. Claro, tirando a massa de alienados, cada humano inteligente é único, discordâncias causam conflitos. Por isso alguns poucos preferem continuar sozinho. Me sinto um deles.

O mundo da minoria sã é duríssimo, por vezes é o próprio inferno. A esperança é pouca para alguns e nenhuma para outros. Certos sobreviventes se fingem de zumbi e se misturam a eles, imitando-os, fazendo o que fazem, inclusive se cobrindo de vísceras para esconder que são humanos. Esta estratégia é muito utilizada, me consenti dela até pouco tempo. No momento estou procurando um lugar seguro para fugir dos mortos, mas se não encontrar, talvez me torne um deles de vez.

Na minha opinião, o dilema mais interessante da série paira sobre este ponto. Se você é um sobrevivente vai entender e se perguntar onde se encaixa neste paralelo entre trama e vida real.

1) Humano saudável vestido de zumbi. Age como eles e chafurda na carne podre, porém continua vivendo sem grandes questionamentos sobre a validade de fazê-lo. Por isso é um infeliz, mas vai se casar sem conhecer o amor e ter um emprego que pague as contas. Ah sim! E rezar pra que melhore.

The Christopher Walken Dead2) Sobrevivente Afiliado. Você não quer parecer zumbi e é foda viver sozinho neste mundo. Mas encontrou outros que pensam parecido e juntos se oferecem alguma segurança na hora de destruir algumas cabeças de zumbi. De vez em quando um te salva, você salva alguém, uns são mais fortes, outros mais inseguros. Então surgem conflitos, conveniências, coisa e tal e, de repente, se depara com alternativas. a)persiste em viver o inferno como um sobrevivente solitário; b) volta a imitar zumbi; c) desiste por aqui e se mata antes de ser estripado vivo.

Representantes dos solitários

 

3) Sobrevivente solitário. Por vezes o mais fraco entre os outros grupos, mas o mais poderoso quando se poe diante da necessidade de prosseguir. Quanto mais sobrevive sozinho, mais forte se torna. Para este existem duas opções. Vai depender da corrente que  assumir na jornada: a) Os Crentes. Estes vai pagar pra ver com alguma esperança em uma redenção. b) Os Descrentes. Estes podem de teimosia pagar pra ver sem garantia nenhuma do que vem depois, ou, acelerar o processo e cair fora deste mundo.

Moral da história é que no fundo, o que todos os grupos procuram é um lugar seguro. Mas a ironia é… se todos os sobreviventes forem para este lugar seguro, então, não mais existirá lugar seguro.

A série aborda vários temas como suicídio, Deus, o homem, e outras de maneira muito séria, inteligente e pertinente. Na verdade, pela ótima trama, o lance todo de zumbi só serve como plano de fundo para discussões diversas , aliás, um plano de fundo que só faz acrescentar elogios à The Walking Dead pelos efeitos especiais e maquiagem dos figurantes (zumbis) de primeira linha. As cenas são muito chocantes pela produção bem feita e pela horripilância dos fatos, principalmente baseados na podridão da carne morta e do manejo de cadáveres (atenção carnívoros, na minha opinião isto se aplica aos animais).

Por enquanto só o trailler da série em vídeo, talvez depois eu coloque episódios completos que tenho aqui.